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A paixão de Batman

Luiz Zanin Oricchio

31 de julho de 2008 | 13h41

Tenho seguido com interesse a repercussão de Batman pela mídia brasileira – eletrônica e papel. É engraçado ver que colunistas como Contardo Calligaris e Luis Fernando Verissimo não deixam de dar seus pitacos sobre o Cavaleiro das Trevas. Engraçado, mais ainda, é acompanhar a polêmica fervendo em blogs – em especial quando se fala mal do filme. Nesse caso, eu perdi o bonde da História porque gostei deste Batman e quando se gosta não há polêmica. Mas, para dar um exemplo, o blog do Inácio Araújo está quente, com internautas indignados pelo que ele escreveu sobre o novo filme. Tem gente que não tolera que falem mal de seus ídolos, fantasias e crenças – e isso gera reações violentas.

Já experimentei isso por aqui, na própria pele. Uma vez fiz uma crítica ao papa. Noutra, mostrei-me temeroso sobre uma possível fascistização da sociedade brasileira. Fui apedrejado por centenas de internautas ao dizer que Transformers não era sequer um filme que pudesse ser objeto de crítica. E ainda tornei-me persona non grata dos fãs do rúgbi ao fazer uma comparação inocente entre esse esporte e o futebol. Em todos esses casos, os leitores vieram babando ao blog, pedindo minha cabeça a quem de direito, xingando minha ascendência e descendência, ou mesmo fazendo ameaças físicas.

De todos os casos, o que mais me espantou foi o de Transformers. Nos outros, bem, eu havia mexido com um representante religioso (não com a religião em si, que respeito), passei a fazer parte da lista negra da extrema-direita (o que muito me honra) e brinquei com uma modalidade esportiva minoritária e portanto na defensiva.

Mas e Transformers? Quem poderia me dizer que um filmeco como esse, destinado ao rápido esquecimento, poderia despertar tanta paixão, fúria e irracionalidade?

Pelo jeito, com o Batman está acontecendo a mesma coisa. O cinema é passional. Como a religião, a política, o esporte. Legal, né?

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