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A outra margem do rio

Luiz Zanin Oricchio

12 de novembro de 2007 | 21h05

Estou no Ariaú, um hotel “rústico” à beira do Rio Negro. De Manaus até aqui são três horas e meia de barco, numa viagem que começou com águas agitadas que depois se aquietaram. O ambiente num barco gera certa familiaridade. Acabamos comendo junto e conversando como amigos com pessoas pouco próximas. Há uma agradável informalidade nas relações. E, assim, pude bater um papo muito legal com o diretor francês Jean-Jacques Annaud, que pretendo transformar em entrevista.

Mas isso fica para depois. Tivemos a conversa interrompida por alguém dizendo que não podíamos perder a chegada ao hotel. E não podíamos mesmo deixar de ver ao longe aquelas construções que começam na margem e avançam rumo à selva. Havia uma luz rala de pôr-de-sol. A gente vai fazer o check-in e uns macaquinhos vêm comer na nossa mão. Sobem nos ombros. Me colocaram num quarto de frente para o Rio Negro. Essa imensidão de água…

Sei que é bom evitar adjetivos e outros penduricalhos quando se trata de comentar a Amazônia. Mesmo assim, se o Drummond me perdoa, esse mar, digo, esse rio, essa lua, botam a gente comovido como diabo.

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