A nova seleção de Mano
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A nova seleção de Mano

Luiz Zanin Oricchio

27 de julho de 2010 | 13h56

SANTOS

Sabemos que essa primeira convocação de Mano Menezes é apenas um cartão de visitas. Uma simples carta de intenções. No que tudo isso vai dar, iremos ver mais adiante. Mas, por ora, pegou bem. Legal. Gostei. Foi coerente (essa palavrinha…) com os propósitos já expressos de renovação com vistas à Copa de 2014 no Brasil. É, de fato, uma seleção quase nova em folha, pois preserva apenas quatro nomes da fracassada campanha de 2010 – Thiago Silva, Ramires, Robinho e Daniel Alves. O resto é tudo novidade, cheirando a tinta, incluindo a dupla Neymar & Ganso, que tanto fora exigida pela opinião pública na última convocação de Dunga. Como mostrou que veio para mudar, Mano, além deles, incluiu na lista o atacante André, ainda na Vila, mas negociado com o Dínamo de Kiev. (Aliás, a nova presidência do Santos já tem uma façanha a comemorar em sua gestão – vendeu o centroavante da seleção brasileira).

Devemos – e podemos – ver nessa primeira convocação uma tendência, e talvez não muito mais do que isso. Muita água vai rolar até 2014 e o primeiro a saber disso é o próprio Mano. Livre das Eliminatórias, terá de enfrentar a Copa América, um pré-olímpico e a Copa das Confederações, além de amistosos. Nada que indique chapa quente em sua trajetória, a não ser que monte seleções que joguem muito mal e comprometam a sua chegada à Copa. Não deve acontecer isso. Em condições normais de temperatura e pressão, Mano deve mesmo ser o treinador na segunda Copa a ser realizada no Brasil. E com a missão explícita de que a experiência traumática da primeira, a de 1950, não seja repetida. Até lá há um longo caminho.

Como dizia certo líder chinês, toda longa marcha começa por um primeiro passo. E, se esse foi mesmo o passo inicial, o companheiro Mano o deu com o pé direito. Dá para formar com o pé nas costas um bom time com essa base renovada. Sem pensar muito: Vítor, Thiago Silva e Henrique; Daniel Alves e Marcelo; Lucas, Hernanes, Ganso e Carlos Eduardo, Neymar e Pato. É time de respeito, jovem, talentoso e pode jogar de maneira interessante.

Existem variantes e possibilidades diferentes de montar esse time-base com os 24 convocados. Isso não quer dizer que esses jogadores sejam as únicas opções. É bem possível que outros náufragos da campanha de 2010 sejam ainda resgatados. Por exemplo, não é justo que Julio Cesar seja descartado apenas pela falha no gol da Holanda. Parece também pouco provável que Kaká, se voltar à forma ideal, fique de fora do time. Isso para citar apenas dois. Algum continuísmo não faz mal nenhum à renovação. Pelo contrário. Até revoluções preservam alguns quadros do regime deposto porque são eles que conhecem o funcionamento da máquina administrativa. Veteranos podem dar segurança aos novatos, pelo menos nos primeiros tempos. Mas, se a ordem era renovar, Mano a cumpriu à risca.

Definidos esses primeiros nomes, o principal será ver se a seleção voltar a jogar um futebol digno da tradição brasileira. Esse, para mim, é o ponto principal. O estilo de jogo. A Copa da África e o bom senso já deviam ter nos levado a engavetar essa discussão tola entre futebol-arte e futebol de resultados. O que existe é futebol bem jogado, e ponto. Quando um time joga bem, tem tudo para vencer e encantar, ressalvada a imprevisibilidade característica desse esporte. Vários times históricos (o Santos de Pelé, o Palmeiras de Ademir da Guia, o Cruzeiro de Tostão, o Flamengo de Zico, etc.) jogaram muito bem, e venceram. Para não ficar no passado: o Santos do primeiro semestre resgatou a arte de jogar bola com alegria, e com isso conseguiu resultados.

Tomara Mano consiga devolver à seleção esse prazer juvenil de brincar com a bola. E brincando, ser séria e eficaz. Estamos na torcida.

(Coluna Boleiros, 27/7/10)

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