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A névoa de Antonioni e de Fellini

Luiz Zanin Oricchio

21 de abril de 2008 | 10h42

Como extra de Identificação de uma Mulher, uma entrevista com o escritor e roteirista Tonino Guerra. Ele lembra que Antonioni era o cineasta da imobilidade e Fellini, o cineasta do movimento. Diz que os três, ele, Fellini, Antonioni, são emilianos, portanto habituados à neblina, que cobre a região por 5 ou 6 meses ao ano. “É uma coisa de infância, está em nós”.

Daí a “naturalidade” da cena da neblina, transformada em alegoria de incomunicabilidade. Lembro da neblina em Fellini. Da névoa que cerca o Rex, o transatlântico de Amarcord. E, neste mesmo filme, o pai que se perde em meio à neblina e, assustado e confuso, pensa que morreu. Neblina como morte. Indefinição do que vem à frente ou atrás, ou dos lados. Isolamento.

Tonino conta que estavam em viagem ao Oriente (não me lembro onde) e deram carona a três muçulmanos. Antonioni tinha a mania da Polaroid. Fotografava tudo. E fotografou os muçulmanos e lhes deu o retrato como presente. Um deles mirou-o lentamente e o devolveu ao cineasta com a seguinte frase: “Por que paralisar o tempo?”.

Diz Tonino que Antonioni passou muito tempo meditando sobre essa frase. O próprio Tonino o faz, até hoje.

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