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A Mundana

Luiz Zanin Oricchio

08 de junho de 2009 | 13h26

Péssimo título brasileiro para o ótimo A Foreign Affair, de Billy Wilder, que vi em DVD no fim de semana. Ok, pode não ser o melhor dos Wilder (revi, também, na TV, Quanto Mais Quente Melhor). Ainda assim, é tão acima da média… Do tempo em que o cinema, mesmo comercial, falava para pessoas adultas. A Mundana é ambientado na Berlim do pós-guerra. Cidade degradada, com os edifícios-esqueletos espalhados por toda parte. É para lá que vai uma delegação do Congresso americano para ver como anda o “moral da tropa” ocupante. No grupo, a senadora moralista por Iowa, Phoebe Frost (Jean Arthur). Ela, em sua rigidez, irá encontrar muita ambiguidade moral, inclusive na maneira como os oficiais americanos se relacionam com as mulheres alemãs. Um caso, em especial: a de um certo oficial (John Lund) que namora Erika (Marlene Dietrich), cantora de cabaré e suspeita de ligação com um figurão do regime nazista tido como morto. Na linha corrosiva de Wilder, mesmo a senadora moralista entra nessa zona cinzenta de ambivalência ética, por exemplo, ao comprar um vestido de luxo no mercado negro para se enfeitar. A réplica famosa, que resume muita coisa, é de Marlene Dietrich quando lhe cobram lealdade: “Estamos pobres demais para sermos fieis”. O engraçado é que o filme termina da maneira a mais convencional possível. Provavelmente uma exigência da produção. Que tudo se apazigúe e entre nos eixos e no conforto, isso depois de Wilder haver destilado seu veneno ao longo de todo o filme. Wilder nos fazia pensar enquanto nos divertia. É isso. Quanto ao cinema ultra-comercial de hoje em dia (brasileiro ou não) dá mais é vontade de chorar. De raiva.

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