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A morte de Sábato

Luiz Zanin Oricchio

30 Abril 2011 | 12h45

Acabo de saber da morte de Ernesto Sábato, aos 99 anos. Quase um século. Bem, na minha opinião, foi um dos grandes, ao lado de seus conterrâneos Cortázar e Borges e do nosso Guimarães Rosa, para ficar nos contemporêos.

Lemos muito, mas o que fica de sedimento? Eis a questão. Nunca pude esquecer algumas coisas que li escritas por Sábato. O Túnel, quem sabe sua obra mais famosa, e De Heróis e de Tumbas, sua obra-prima. Esse livro continua comigo. Continuará, sempre.

Sábato, que foi em muitos sentidos (mas não no pior deles) um escritor engajado, sabia imprimir na palavra a estranheza da realidade. Daí a sensação de vertigem que se tem ao ler De Heróis e de Tumbas, em especial a parte final, sobre uma misteriosa conspiração de cegos. Poderosa metáfora. Mas vai além da metáfora e nos toca em algum ponto recôndito do inconsciente. É leitura para toda a vida.

Enfim, muito haveria a se dizer sobre Sábato. Por enquanto, fico me perguntando quem terá sido maior: ele, Borges ou Cortázar?

Mas, penso agora, para que discutir essa trivialidade? Cada um, à sua maneira, provocou em nós esse estranhamento da realidade para que despertássemos um pouco do nosso sono e torpor e pudéssemos enxergar.

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