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A luta armada no cinema

Luiz Zanin Oricchio

11 Maio 2007 | 19h20

Saindo ontem à noite do jornal, fui acompanhar o resto do debate sobre o filme Hércules 56, no Cine Bombril. Estavam o diretor do filme, Silvio Da-Rin, e dois dos então guerrilheiros, soltos a troco do embaixador americano: Ricardo Zarattini e José Ibrahin. A certa altura do debate, foram lembrados outros filmes brasileiros que usaram a resistência armada à ditadura militar como tema. Já existe um bom elenco de obras, sendo possível formar uma primeira idéia de como o período foi interpretado pelos nossos cineastas.

Talvez o mais controverso, do ponto de vista da esquerda, seja O Que é Isso, Companheiro? (1997), de Bruno Barreto, adaptado do livro de Fernando Gabeira. Lamarca (1994) e Zuzu Angel (2006) também podem ser lembrados como bons filmes baseados em personagens, ambos dirigidos por Sérgio Rezende. Cabra-Cega (2005), de Toni Venturi, pode ter seus problemas mas procura evocar de maneira correta o sufoco no interior de um “aparelho”. Araguaia (2005), de Ronaldo Duque, não anda lá muito bem das pernas ao misturar realidade e ficção nessa história da guerrilha. Melhor, dizem os que participaram, vai o documentário Caparaó (2006), de Flávio Frederico. O mais ridículo não poderia deixar de ser Sonhos e Desejos (2006), de Marcelo Santiago, com sua revolução fashion.

E pode-se também evocar filmes mais antigos, como O Bom Burguês, de Oswaldo Caldeira (1982) e Nunca Fomos Tão Felizes, de Murillo Salles (1984). Há também o documentário de Lúcia Murat, Que Bom Te Ver Viva (1988), sobre a participação feminina na luta armada.

Talvez não haja ainda “O” grande filme sobre o período. Mas os que foram feitos formam um primeiro painel para compreensão daqueles “tempos interessantes” (para usar uma expressão de Eric Hobsbawm).