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A hora e a vez dos tímidos

Luiz Zanin Oricchio

14 de janeiro de 2012 | 12h33

Neste mundo de machos e fêmeas alfa, os muito tímidos também têm a sua hora e sua vez. Pelo menos no cinema. No cinema francês, diga-se. São eles os “heróis” deste Românticos Anônimos, um filme sutil, engraçado e de rara gentileza. Poderia ser definido como comédia romântica não fosse o gênero tão associado à bobajada sem tempero que costuma vir de Hollywood sob esse rótulo.

Mas, enfim, como classificar de outra forma o affaire entre Jean René (Benoît Poelvoorde) e Angélique (Isabelle Carré)? Ele é dono de uma fábrica de chocolates à beira da falência. Ela vai lhe pedir emprego, mas é tão travada que não consegue dizer que é dona de uma receita genial de chocolates e acaba contratada como representante comercial. Já pensaram uma criatura com pânico ao contato social no papel de vendedora? Já pensaram num travado profissional como Jean René, com Ph.D. em timidez, tentando fazer a corte à nova funcionária?

Eis aí a ciranda entre dois “perdedores”, nessa curiosa classificação contemporânea aos que não se adaptam à filosofia da vida como rinha de galos. Ciranda com todas as trapalhadas que se possa imaginar, mas sem qualquer recurso à apelação e muito menos à grosseria. O diretor Jean-Pierre Améris recusa qualquer solução fácil ou agressiva.

Românticos Anônimos faz parte daquela fração do cinema francês que não se preocupa em ser autoral, transmitir alguma grande “mensagem” ou debater um tema contemporâneo urgente. Centra-se nas relações humanas e no que elas têm de difícil e hesitante. É um filme quase fora do tempo, na contramão, em sua simplicidade. E muito gostoso, como um bombom feito de maneira artesanal.

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