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A hipocrisia e a morte de Saddam Hussein

Luiz Zanin Oricchio

03 Janeiro 2007 | 17h09

Parece no mínimo estranha essa preocupação humanitária a posteriori com as formalidades e boas maneiras na execução de Saddam Hussein. Busca-se agora quem foi, ou quais foram, os responsáveis pela gravação das imagens do enforcamento, que acabaram divulgadas no mundo todo pela internet como um formidável presente de fim de ano à humanidade, na véspera da confraternização universal. Busca-se quem o agrediu verbalmente nos momentos finais, como se por essa infração à, digamos, liturgia do carrasco, o ato tivesse sido conspurcado em sua pureza jurídica.

O fato é Saddam foi executado a toque de caixa, talvez para que ninguém se incomodasse em lembrar da longa história que o havia conduzido ao pé da forca. A começar pela sua aliança anterior com os Estados Unidos, quando esta era conveniente na guerra contra o Irã. Depois tudo mudou e o aliado de ontem passou a ser o inimigo de hoje. Achar que os Estados Unidos se voltaram contra o antigo parceiro por causa dos seus crimes e desrespeitos (reais) aos direitos humanos é de uma ingenuidade que não faz jus à inteligência de ninguém. De qualquer forma, convém também recordar que o pretexto para a invasão do Iraque, não aprovado pela ONU, o da existência de armas de destruição em massa, jamais foi comprovado. Quantas vidas custou e ainda custará esta ocupação, a americanos e iraquianos?

Um pouco de perspectiva histórica não faz mal a ninguém embora nos coloque na desconfortável impossibilidade de dividir o mundo entre bons e malvados, como nos filmes de Hollywood.