A fina estampa de Walter Alfaiate
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A fina estampa de Walter Alfaiate

Luiz Zanin Oricchio

19 de junho de 2009 | 13h31

alfa

No fim do filme, Walter Alfaiate diz: “Enquanto eu tiver vida vou fazendo meus sambas e minhas roupas.” E ponto. Epílogo perfeito para esse documentário curto, enxuto, elegante como seu personagem. Walter é visto (e ouvido) cantando sambas de sua autoria ou de outros compositores. Fala de suas duas profissões, da sua vida, do seu bairro, Botafogo. Convidados falam de Walter – Aldir Blanc, Nei Lopes, Zeca Pagodinho, Sérgio Cabral, pai, que, aliás, é responsável pela transformação de Walter Nunes em Walter Alfaiate, associando o métier aprendido desde menino ao ofício de sambista profissional.

Escolha feliz, como o próprio Cabral reconhece. “O fato de ele ser um alfaiate ainda na ativa e sambista dá margem a toda a sorte de associações verbais. Incorporar a antiga profissão ao nome só facilita as coisas.” Uma pequena, inocente jogada de marketing, que tem servido a esse carioca da gema, que muitos dos seus amigos insistem em dizer que é um espécime em extinção daquela carioquice belle époque, cordial, imaginativa, cheia de charme e malícia.

“Malandro é quem trabalha”, diz Walter, repetindo o que dizia outro malandro, Moreira da Silva. Trabalhando, Walter tem atravessado a vida, desde que nasceu, em 1930, naquele mesmo bairro de Botafogo. Seguiu a trajetória clássica de quem teve mãe passista e conviveu com o samba. Ao mesmo tempo dedicou-se à costura. Levou a alma de artesão à música, como amador, continuando quando profissional. O negócio não é fazer muito; é fazer bem-feito. É isso só o que traz o filme. E já está bom.

(Caderno 2, 19/6/2009)

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