A festa latino-americana em São Paulo
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A festa latino-americana em São Paulo

Luiz Zanin Oricchio

14 de julho de 2013 | 12h28

Como acontece todos os anos, tenho ido ao Festival Latino-americano, cuja sede “natural” é o Memorial da América Latina. Desenhado por Niemayer, como se sabe. Falta um pouco de verde. Mas é um espaço lindo, dos mais agradáveis. Não o frequento ao longo do ano e nem sei direito se oferece muitas atrações. Deve ser falha minha. Ou falta de tempo, ou qualquer coisa do tipo.

Enfim, no festival bato ponto por lá e me dou conta de que sinto saudades do espaço. E do clima lá existente durante o festival. Tenho sido recompensado por bons filmes. O de abertura foi o cubano Amor Crônico, de Jorge Perugorría, ator de Morango e Chocolate, o filme cubano mais visto no exterior. Um trabalho simples, um Road movie com a cantora Cucu Diamantes (que estava lá, em pessoa) em sua turnê na ilha. Muita música, sensualidade cubana e uma crítica sutil à burocracia da ilha e suas carências materiais. Feito à maneira cubana, isto é, irônica, porém com amor.

Depois o forte Dias de Santiago (Peru) e a pré-estreia de Entre Vales, o corajoso novo longa-metragem de Philippe Barcinski. Vi ontem também, no Cinesesc (outra das salas envolvidas no Festival), o gracinha Tanta Água, do Uruguai. Incrível como eles conseguem trabalhar com tramas rarefeitas, em que o não-acontecer toma à frente da narrativa. E mantém todo o interesse do público.

Para além dos filmes, o que sempre me impressiona nessas visitas ao Memorial é a presença maciça do público jovem. Também o Cinesesc estava tomado por jovens. Todos, ao que parece, muito interessados nessa dieta rara de cinema latino-americano, sistematicamente negada pelo circuito exibidor da cidade. Será que não existe esse mesmo interesse ao longo dos anos? E os filmes dos países vizinhos só mostram a cara nessas ocasiões e não na rotina dos lançamentos comerciais. É caso a se pensar.

Além de tudo, o festival deste ano, em sua 8ª edição, homenageia um grande amigo, Guido Araújo, cineasta e criador da Jornada de Cinema da Bahia. Guido completou 80 anos aqui em São Paulo e foi devidamente festejado por amigos e pelo evento paulistano. Não sei se lhe deram tanta atenção em sua terra, Salvador.

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