A febre política sobe no Cine PE
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A febre política sobe no Cine PE

Luiz Zanin Oricchio

07 de maio de 2015 | 11h11

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RECIFE – O Cine PE está fazendo uma edição conturbada e politizada. Alguns filmes têm sido prejudicados por problemas de som no Cinema São Luis, o que tem o ocasionado protestos de críticos e de cineastas. Por outro lado, temperatura política sobe e tem marcado presença tanto no cinema quanto nas salas de debates.

Durante homenagem no Cinema São Luis, a família do ex-governador Eduardo Campos, morto em acidente aéreo ano passado durante a campanha presidencial, foi vaiada por parte da plateia. Eu francamente nunca havia visto coisa igual. Em geral, no Brasil, a morte desperta um respeito reverencial. Mas, que nada. Houve a vaia, a apresentadora Graça Araújo tentou intervir, e veio mais vaia ainda.

Explica-se. Os ânimos estão exaltados no Recife com o caso do cais Estelita. Movimentos sociais da cidade desejam transformar o velho cais em área pública, enquanto a especulação imobiliária pretende erguer várias torres no local. A câmara acaba de aprovar o projeto das torres e o prefeito, mais do que depressa, o sancionou. Os protestos chegaram ao cinema. Antes da exibição do longa documental O Gigantesco Imã, os diretores Petrônio e Tiago Scorza desfraldaram uma faixa pró-ocupação de Estelita e convocaram a população à resistência. Recife, esta bela capital, é mais uma cidade brasileira que vem sendo depredada pela ganância imobiliária, sob suspeita complacência dos políticos. Mas parte da população parece ter despertado e se recusa a ver sua cidade destruída pela voracidade argentária das incorporadoras.

Não se trata apenas do caso Estelita. No cinema, exibiu-se o documentário Aqui Deste Lugar, de Sérgio Machado e Fernando Coimbra. O filme acompanha três famílias (uma gaúcha, uma paulistana, uma cearense) que se beneficiam do Bolsa Família. A sessão foi péssima. Por problemas técnicos, os diálogos eram quase inaudíveis. Mesmo assim, o pouco que deu para entender foi suficiente para que partes rivais se engalfinhassem durante o debate do filme, realizado no dia seguinte à projeção, no hotel em Olinda que sedia o festival. Mera propaganda dos governos do PT ou, pelo contrário, retrato sem retoques da estrutura injusta da sociedade?

De fato, reproduziu-se, no debate, a questão radical que divide a sociedade brasileira. Esta cisão veio para dentro do festival de cinema. Pensando bem, não poderia ser de outra forma.

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