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A falta que ele faz *

Luiz Zanin Oricchio

31 de julho de 2012 | 09h24

Depois da suada vitória por 2 a 1 sobre a Ponte Preta, pediram para Muricy Ramalho avaliar a dimensão da falta que Neymar fazia ao time. Ele se limitou a responder ao repórter: “Você viu o jogo de hoje da seleção?”

Era só mesmo o que havia a dizer. Neymar deu o passe para o primeiro gol, de Pato; marcou o segundo de falta, e, de calcanhar, meteu para Oscar enfiar o terceiro. Uma atuação de craque, de um jogador sobre o qual sempre paira certa má vontade: “Cai-cai, some nas decisões, não sabe sair de marcação mais dura etc.” O pior cego é aquele que não enxerga mesmo, como dizia, creio, Millôr Fernandes.

Mas não foi só Neymar. Oscar, depois de um primeiro tempo meio sumido, resolveu aparecer no segundo, e também foi decisivo. Pato ressurgiu, com um jogo insinuante e decisivo. Apenas Ganso, que teve mais uma oportunidade, novamente decepcionou. Parece em dissintonia com o jogo, como se a bola o evitasse. Ou como se ele evitasse a bola – o que é mais provável.

Enfim, sem ser brilhante, a seleçãozinha, que tende a ser também a seleção principal, com alguns acréscimos, mostrou-se encorpada contra a Bielorrússia. Já qualificou-se para as quartas de final e está no bom caminho para o ouro olímpico. Se este virá, por fim, talvez nem os deuses do Olimpo possam dizer. Mas que, a esta altura, e com a desclassificação prematura da Espanha, tornou-se favorita, isso é inegável. Foi uma bela exibição. Tomara continue assim e que Mano Menezes persevere a ousadia das substituições e não se deixe levar por seu DNA retranqueiro.

Isso no futebol. Mas em outras modalidades a Olimpíada também acaba disputando a nossa atenção. Nenhum dos nossos jogos domésticos deve ter dado emoção semelhante às medalhas do judô e na natação. Nessa época, mesmo nós, que somos uma monocultura esportiva – só ligamos para o futebol -, começamos a dividir nossas mentes e corações e prestamos mais atenção às outras modalidades. Em especial quando rompem a barreira de descaso e conseguem trazer alguma medalha para o Brasil. Duvido que alguém não tenha se emocionado com a jovem judoca piauiense Sarah Menezes, que ganhou com tanta valentia a sua medalha de ouro.

Vila sem feitiço. E é até bom que a Olimpíada tire um pouco o foco do nosso futebol doméstico, que anda meio mal das pernas. Pelo menos entre os paulistas, porque os atleticanos, apesar do empate com o Flu, são só entusiasmo com o Galo. O São Paulo até que voltou à vida ao sapecar 4 a 1 no Flamengo. Corinthians e Palmeiras, já satisfeitos com a Libertadores garantidas (e mais ainda o Timão, com o Mundial em dezembro) voltam a patinar. O Santos suou sangue para vencer a Ponte, já no finzinho. Fui à Vila ver o jogo e o ambiente. Apenas 4 mil e poucos torcedores que, diga-se a verdade, incentivaram do início ao fim um time esforçado e sem inspiração. A falta de Neymar é imensa. Mas não sei se é só isso.

* Coluna Boleiros, publicada no Caderno de Esportes do Estadão

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