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A Falsa Loura de Tiradentes

Luiz Zanin Oricchio

19 Janeiro 2008 | 11h55

TIRADENTES

O longa-metragem de Carlão Reichenbach, Falsa Loura, abriu ontem a mostra de Tiradentes. Já havia visto o filme em Brasília. É daquele tipo que, numa revisão, expõe de maneira mais clara tanto seus defeitos quanto suas qualidades. Na história da operária vivida por Rosanne Mulholland, me incomodam um pouco os diálogos e a interpretação às vezes over do elenco. Mas isto é do estilo do diretor. Há problemas de verossimilhança e, enfim, você tem de embarcar naquela viagem para poder curtir a obra.

Em compensação, toda a parte final do filme cresceu. Desde que ela chega a uma fazenda e encontra um pai em companhia do seu filho até que toma consciência da roubada em que entrou, o que vemos é exercício de grande cinema. Estou falando agora tanto do comportamento dos atores como do clima imposto à seqüência. A câmera é amigável e inventiva. E, por fim, atinge-se aquele cinema de sentimentos e emoções, à la Zurlini, uma das referências de Carlão. Um filme irregular, porém grande em sua irregularidade, pois enorme é o coração do cineasta. Isso conta, acreditem.