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A escolha de Sofia (Coppola)

Luiz Zanin Oricchio

17 de setembro de 2010 | 22h44

Dando uma zapeada na TV, peguei o Chefão 3 no comecinho. Claro, fui fisgado e vi até o fim. Com a desculpa de rever Sofia Coppola, 20 anos atrás, no papel de Mary, a filha do capo Al Pacino, eu que a vi faz poucos dias vencer o Leão de Ouro em Veneza, com seu Somewhere.

Lembro na época do lançamento sobre as dúvidas que surgiram sobre a mocinha, que estaria no filme apenas por ser filha do diretor. Ok, pode ser até que fosse assim mesmo. Mas, que gracinha, ela com aquela beleza meio desajeitada, uma italianinha perfeita, apaixonada por seu Andy Garcia, o bastardo que se torna sucessor do chefe. Sofia não compromete em nada. Pelo contrário. Dá uma bela autenticidade ao filme. Na época do lançamento, escrevi um artigo contando como fora o casting de papà Coppola e demos a ele o título de “A difícil escolha de Sofia”, ou coisa assim. Naquele tempo era obrigação fazer trocadillho nos títulos, alusões a outros filmes, coisas do tipo, senão parecia falta de criatividade. Todo tempo tem suas manias e preconceitos. Depois tudo passa…até que volte, como novidade.

Bom, mas não é disso que queria falar e sim de como Sofia está perfeitamente bem naquele papel, trágico afinal de contas. E, sim, há o filme em si. Se não se puder aplicar a ele o termo “obra-prima”, que outro poderíamos usar? Fui reparando em tudo, da fotografia à montagem, e Chefão 3 é nada menos que perfeito. Mas o que ele tem mesmo é uma complexidade, uma riqueza de matizes humanos e uma reflexão operística sobre o poder como poucas vezes se viu no cinema recente.

E tem algo mais, um tanto indefinível, abaixo da superfície imediata, que me revira por dentro, como a uma luva. Mistérios da arte. Da grande arte, é claro.

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