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A Cultura e a barbárie

Luiz Zanin Oricchio

17 Novembro 2006 | 20h10

Não escuto mais regularmente a Rádio Cultura FM como costumava fazer. Falta de tempo, entre outros motivos. Mas mantenho imenso carinho por esta emissora que me proporcionou tantos momentos musicais intensos no passado. Qual não foi minha surpresa quando um conhecido, músico, me contou durante um jantar que a barbárie venceu a Cultura e que agora só se programam peças de menos de 30 minutos de duração “para dar espaço aos intervalos comerciais”.

Segundo esse amigo, a programação popularizou-se, no mau sentido do termo, e agora lá só se ouve o óbvio. Foi-se o tempo, segundo ele, em que se podia ouvir na Cultura a melhor música contemporânea, um cardápio que não se encontrava em qualquer outra emissora. A Cultura dava-se até ao luxo de transmitir óperas diretamente do Metropolitan, de Nova York.

Fiquei pasmo e não quis acreditar. Chequei a informação aqui no jornal e me contaram coisas de estarrecer, inclusive extensivas à TV Cultura. Como o fato de a direção da TV considerar O Anel dos Nibelungos, de Richard Wagner, longo demais e portanto desinteressante e lesivo aos comerciais, cancelando assim a transmissão da ópera gravada em Manaus. Será que tudo isso é verdade, meu Deus? E, se assim for, como é que se deixa afundar sem mais nem menos um patrimônio cultural de São Paulo?