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A crítica e o excesso de filmes

Luiz Zanin Oricchio

21 de dezembro de 2006 | 23h49

A Cahiers du Cinéma não foi a primeira a discutir os efeitos da overdose de filmes. O problema está por aí, no ar. Tenho conversado sobre esse tema com alguns colegas, informalmente, e não apenas porque ele põe em xeque as nossas condições de trabalho, mas porque o próprio cinema pode sair perdendo. Por coincidência, estive há pouco em Havana, e Klaus Eder, secretário-geral da Fipresci, entidade que congrega internacionalmente a crítica cinematográfica, fez uma palestra tocando nesse tema, pelo menos de raspão. De acordo com Klaus, mudou o cinema e a própria crítica nos últimos 30 ou 40 anos. Antes, os filmes se colocavam como entretenimento mas também como estímulos à reflexão. Hoje, a grande maioria deles se limita a entreter – “a fornecer duas horas de evasão”, como diz Klaus. Nesse sentido, como os filmes não entram no circuito da polêmica cultural e nem se propõem a isso. Essa tendência, no limite, coloca em questão tanto o cinema como arte como a própria existência da crítica. Para que refletir sobre filmes que, justamente, se colocam como antíteses da própria reflexão? Eis aí um tema para meditarmos. Não é apenas a overdose, em si, que é perniciosa. O problema é a overdose do descartável.

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