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A bola olímpica *

Luiz Zanin Oricchio

14 de agosto de 2012 | 11h58

Durante esse período de Olimpíada foi impossível não dividir a atenção entre o nosso joguinho doméstico e os grandes jogos de Londres. Não vou dar uma de especialista nesses esportes que nos ocuparam nas últimas semanas. Meu conhecimento é aproximativo, como o da maioria das pessoas. O Brasil é uma monocultura esportiva. De futebol, todos compreendemos as regras, as táticas, os macetes. Temos convivência com ele desde a infância. É diferente quando se trata do atletismo, do badminton e da ginástica artística. Sabemos pouco mesmo do vôlei, da natação e do basquete – esportes que a maior parte de nós praticou durante a escola. As sutilezas nos escapam. O que não nos impede de torcer. E mesmo de palpitar, por que não?

De qualquer forma, a Olimpíada é uma “cascata de emoções”, como dizia o querido Fiori Gigliotti, o grande narrador esportivo da minha infância e adolescência, um romântico que transformava em literatura épica o mais chinfrim dos jogos de futebol. A Olimpíada é um turbilhão de emoções (olha eu, contaminado pela memória do Fiori), que acaba por nos deixar esgotados. As medalhas vêm com uma imprevisibilidade estranha, como o ouro no judô de Sarah Menezes ou o das meninas do vôlei. E deixa de vir quando mais esperávamos por ele, como no futebol masculino, na natação com Cesar Cielo, no vôlei dos homens, que teve a partida literalmente nas mãos contra os russos e deixou-a escapar de maneira incompreensível.

É isso a Olimpíada? Uma sequência de eventos que mexe com as nossas emoções, tanto negativas como positivas? Nos torna nacionalistas ao torcermos pelos nossos, mas, ao mesmo tempo, nos convida a atravessar, sem passaporte, essas fronteiras entre países e vibrarmos com os outros? Ou alguém aí deixou de se sensibilizar com as façanhas de Usain Bolt que é, disparado, o grande nome desses jogos de Londres? Eu vibrei também quando vi aquele pódio dos 200m ocupado pelos três jamaicanos. O que entendo de corridas? Nada. Acontece que o esporte se torna, pelos menos em épocas como essas, uma espécie de esperanto que facilita a compreensão entre todos.

E sabemos o que diz esse esperanto esportivo. Importa vencer, sim senhor. Apesar da máxima do barão de Coubertin, aquela que diz que o mais importante é competir e não vencer, todo mundo quer botar uma medalha no peito – amarela de preferência. Mas importa mais a forma como se vence.

Isso dito, voltamos ao futebol, que, afinal é a nossa seara. Apesar de eu não considerar fundamental o ouro olímpico para o profissionalíssimo futebol masculino, devo confessar que fiquei muito decepcionado com o comportamento da seleção no jogo contra o México. Talvez eu tenha pensado que, se a base de seleção principal for aquela mesma, estamos fritos em 2014. Vamos dar mais um fiasco dentro de casa. Não foi tanto perder que me incomodou, mas a maneira como perdemos. Certo, houve um erro individual logo no início, que redundou no primeiro gol de Peralta. Mas o time não soube dar resposta coletiva a esse erro, que ficou nos assombrando durante todo o jogo, sob o olhar impotente de Mano Menezes. É, acho que estamos fritos.

 

* Coluna Boleiros, no Caderno de Esportes do Estadão