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A bola gosta de bom trato

Luiz Zanin Oricchio

13 Julho 2010 | 09h24

Quanto mais penso, mais me convenço de que a Copa ficou muito bem com a Espanha. Nós não a merecíamos mesmo. Longe disso. A participação brasileira foi pífia, deve ser lembrada e não esquecida, para servir de modelo do que não se deve fazer.

 

Já a vice, a Holanda, é uma seleção muito inferior às de 1974, 1978 e 1998. Essas sim mereciam ser campeãs. Na partida final, a Holanda de 2010 propôs um jogo truncado, feio, botinudo, faltoso no limite da deslealdade. Com seu jogo retrancado, na base dos contra-ataques, não esteve à altura de si mesma. A verdadeira Holanda foi a Espanha, através do seu DNA do Barcelona.

E a Alemanha?, vocês podem perguntar. Eu diria que a Alemanha foi a seleção que apresentou o melhor futebol desta Copa, em especial nas sapecadas que aplicou na Inglaterra e Argentina. Foram os momentos mais brilhantes deste mundial. O verdadeiro tira-teima alemão seria contra a Espanha, e ele de fato aconteceu na semifinal, com a vitória dos espanhóis. Foi o único jogo em que os alemães renegaram a sua filosofia, preferindo buscar a classificação em outro estilo, e então se deram mal. Tomaram aquele gol de cabeça do Puyol, mas que veio num momento em que a Espanha era toda ataque e já havia criado outras chances. Temos de respeitar as leis do futebol. No confronto direto entre os dois melhores times, um deles ganhou e outro perdeu. É do jogo. É da vida.

O importante é que o título ficou com uma equipe que se propõe a jogar bola e não a bater nos adversários. Joga bem, com muita troca de passes, ocupação inteligente de espaços e boa interpretação do que está acontecendo na partida. Falta poder de ataque, daí os magros oito gols que contabiliza na conquista. Mas é time que joga e gosta de jogar, como já foi o caso do futebol brasileiro antes de ser dominado pelos apóstolos do futebol-força, futebol de resultado e outras idiotices. Jogar bem é fundamental. É eficiente. Quem joga bola está de posse da Copa do Mundo. Essa, a lição a ser tirada, se é que estamos dispostos a aprender com nossos erros e com os acertos alheios. É hora de o Brasil voltar a si mesmo. Afinal, fomos nós que inventamos um jeito de jogar que, hoje, faz a alegria dos outros.

(Caderno da Copa, 13/7/10)

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