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A avó de García Márquez, co-autora de Cem Anos de Solidão

Luiz Zanin Oricchio

19 Janeiro 2007 | 17h24

Diz o escritor colombiano que foi a boa velhinha quem lhe deu o tom certo para contar a história de Cem Anos de Solidão, sua obra-prima, romance que lhe abriu caminho para o Prêmio Nobel. A declaração está no Magazine Littéraire deste mês, que oferece um presentão de 40 anos de existência aos leitores: depoimentos de grandes escritores sobre suas obras, colhidos ao longo da existência da revista. Assim temos Jorge Luis Borges falando de O Aleph, Norman Mailer de A Canção do Carrasco, Umberto Eco de O Nome da Rosa, Vargas Llosa de A Guerra no Fim do Mundo, Margueritte Duras de O Amante, Antonio Tabucchi de Noturno Indiano, e muitos outros. Quanto à avó do García Márquez, vejam o que ele diz.

“Cem Anos de Solidão é um romance sobre o qual refleti longamente. Eu o comecei várias vezes, sem ir adiante. Tinha todos o material e o via tal como deveria ser em sua estrutura, mas não encontrava o tom adequado. Quer dizer, eu mesmo não acreditava naquilo que contava. Acho que um escritor pode dizer tudo que lhe passe pela cabeça contanto que seja capaz de tornar isso crível. E o índice para saber se alguém vai acreditar em você é primeiro você acreditar em si mesmo. Mas cada vez que eu começava Cem Anos de Solidão não acreditava no que escrevia. Então percebi que a falha estava no tom e fiquei quebrando a cabeça até o momento em que pensei que o tom mais verossímil era aquele da minha avó quando ela contava coisas extraordinárias, as mais fantásticas, com um tom absolutamente natural. É isso, acredito, que é fundamental em Cem Anos de Solidão do ponto de vista do métier literário.”