A atualidade do Cinema Novo nos ‘Cahiers’
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

A atualidade do Cinema Novo nos ‘Cahiers’

Luiz Zanin Oricchio

13 Julho 2016 | 20h49

Cahiers

 

Apesar da forte crise em que se encontra, o Brasil fez-se representar muito bem no Festival de Cannes. Assim começa o artigo publicado nos Cahiers du Cinéma de junho. A revista refere-se à presença de Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, do curta A Moça que Dançava com o Diabo, de João Paulo Miranda Maria, e, em especial, de Cinema de Novo, de Eryk Rocha, que venceu o L’Oeil d’Or, prêmio atribuído ao melhor documentário, incluindo como concorrentes todos os filmes desse gênero que participam dos diferentes segmentos do festival francês. O artigo é complementado, na página seguinte, por uma entrevista com Eryk, assinada por Ariel Schweitzer.

Como exemplo, ou aperitivo: o entrevistador pergunta por que um filme sobre o Cinema Novo hoje em dia.

Eryk: “O Brasil atravessa atualmente um período muito difícil, confuso, estranho. Senti necessidade de voltar à história do cinema brasileiro e também de revisitar a história política de meu país para compreender o que me leva a fazer filmes e também compreender de forma mais ampla do que significa fazer filmes no Brasil hoje em dia. Acho que existe uma urgência de repensar  cinema e política em meu país e, sobretudo, o elo que os une.

Outra: Qual o legado do Cinema Novo à uma jovem geração brasileira?

Eryk: Meu filme fala do Brasil contemporâneo, porque o momento de crise que vivemos hoje lembra muito a situação do país nos anos 1960 e 1970. É notável por exemplo a maneira como as massas são manipuladas, instrumentalizadas pelo poder político e midiático. Nos damos conta de que de fato nenhum problema estrutural – político, social ou cultural – abordado pelo Cinema Novo foi resolvido de verdade. As mesmas questões ressurgem atualmente, mas sob uma forma diferente. É por isso que o o Cinema Novo é mais do que nunca atual.

Cinema Novo abre o Festival de Brasília em setembro próximo.