A arte de Dom Salvador
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A arte de Dom Salvador

Luiz Zanin Oricchio

15 Janeiro 2007 | 13h41

Acabo de conhecer pessoalmente um cara que foi um dos meus ídolos de garoto – o pianista Dom Salvador, um dos bambas da bossa nova, que tocou com Elis Regina no começo da carreira dela no Beco das Garrafas. Dom é natural daqui do interior de São Paulo, Rio Claro, e chegou à capital com 21 anos. Tocou em várias boates, incluindo a mitológica Baiúca, e depois de alguns anos mudou-se para o Rio. Lá, além de Elis Regina, acompanhou o Quarteto em Cy, Jorge Ben, muita gente famosa. Integrou o Copa Trio e, em 1965, fundou outro trio, o Rio-65, numa época de grande competição entre essas formações de piano, baixo e bateria. Com o Rio-65 ele partiu em turnê pela Europa e acabou gravando na Alemanha. No começo dos anos 70 mudou-se para os Estados Unidos e mora lá até hoje. Voltou agora ao Brasil e gravou um disco no Rio. “Ficou lindo”, me disse. Vai mixar em Nova York e lançar o CD depois. Lembro do piano de Dom Salvador, balançado, cheio de ginga, amparado numa técnica impecável e grande conhecimento de música. O segredo? Sei lá, mas tenho um palpite. Com 68 anos de idade e status de mestre, Salvador diz que continua estudando. “Tenho uma professora russa em Nova York e estudo composição e música clássica”, disse. Música é como tudo na vida, como andar de bicicleta: parou, já está caindo.

SALVADOR

Dom Salvador com Elis Regina