7 de setembro
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7 de setembro

Luiz Zanin Oricchio

07 de setembro de 2015 | 12h13

brasil

Acho que fazia uns 20 anos que não passava o 7 de setembro no Brasil. Por quê? Porque nesta época do ano estava sempre na Itália, cobrindo o Festival de Veneza para o jornal. Neste ano, não rolou. Sabemos todos por quê. A crise.

Enfim, eis-me aqui, no País, na “data pátria”. Não são apenas os milicos que assim se referem ao dia nacional. O grande Vinicius de Morais, em uma de suas cartas, também se queixava de estar longe do Brasil num 7 de setembro. Tempo em que era diplomata, talvez cônsul em Los Angeles ou em outra parte. A nostalgia o fazia desejar samba, “sambão”, como ele dizia. E, dessa forma, evocava Formosa, o sambão feito em parceria com Baden Powell.

Digo isso não por que nos últimos anos de Veneza eu tenha me sentido muito saudoso do Brasil. Afinal, eram apenas viagens de trabalho e eu estaria retornando em breve. Além do mais, em um festival de cinema a gente não tem tempo para pensar em nada além de filmes, entrevistas, escrever e enviar matérias. Ocasionalmente, comer e dormir um pouco.

Mas lembro de outros tempos, mais longínquos, em Paris, com o inverno chegando bravo e sem qualquer perspectiva de volta. Aí sim, dava um banzo danado. E, quando submetidos a esse tipo de experiência, passamos a valorizar essa nossa desprezada pátria.

Falar mal do Brasil é um esporte de brasileiros. Sentimo-nos acima do país, vagamente injustiçados por termos nascido em lugar tão problemático, tão pouco à altura do talento que somos, uma terra de incompetentes, país de corruptos, que abriga gente tão honesta e indignada como nós.

Como se o país não fosse nosso, como se os políticos que desprezamos não tivessem sido votados por nós e colocados no poder pela nossa livre escolha nas urnas.

Nesta manhã chuvosa de 7 de setembro mato o tédio percorrendo as redes sociais e noto o quanto de desapreço ao país elas manifestam. Aproveito para bloquear algumas alimárias que em má hora aceitei como amigos, mas ainda assim certa melancolia me abate. Por que os brasileiros de boa vontade não se manifestam também? Será que perdemos o desejo de construir o país e o deixamos à mercê dos destruidores? Já não aprendemos, 50 anos atrás, aonde eles nos conduzem?

Uma proposta possível para este 7 de setembro: vamos sair da deprê?

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