50 anos sem Marilyn
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50 anos sem Marilyn

Luiz Zanin Oricchio

05 de agosto de 2012 | 10h12

Cinquenta anos depois de sua morte, Marilyn Monroe continua um ícone rentável. Prova é a caixa Marilyn Monroe 50 anos, lançada por seu estúdio, a Fox Filmes para comemorar a data. São 13 filmes e quatro apoios de copos com a efígie da diva, morta de uma overdose em 5 de agosto de 1962.

Deixemos de lado os porta copos e sua eventual utilidade e concentremo-nos nos filmes. O filé mignon está aí em trabalhos que investem na malícia e na sensualidade de Marilyn, como O Pecado Mora ao Lado e Adorável Pecadora. Ou seu senso cômico, como em Quanto mais Quente Melhor, considerada uma das melhores comédias norte-americanas de todos os tempos. Ou, ainda, a melancolia profunda de Os Desajustados, talvez o seu trabalho mais pungente. Mas não se fica indiferente diante de filmes como Almas Desesperadas, Torrentes de Paixão, Os Homens Preferem as Loiras, O Rio das Almas Perdidas e Nunca Fui Santa, O Inventor da Mocidade ou o musical de Irving Berlim O Mundo da Fantasia (There’s no Business like Show Business).

Neles, vê-se essa estranha magia que faz com que algumas raras pessoas brilhem e se avolume na tela. Agigantam-se diante da câmera. Quando estão em cena não se olha senão para elas. Era assim com Marilyn, um caso de amor conflituoso com o cinema. A câmera gostava dela; os diretores e produtores, nem sempre. Dava dinheiro mas causava muitos problemas. Sobre isso, a melhor anedota era a de Billy Wilder. Perguntaram-lhe como suportava as crises e atrasos da atriz. Ele respondeu que tinha uma velha tia, séria, pontual e eficiente, mas ninguém pagaria um cent para vê-la numa tela. Marilyn dava todos os transtornos, mas o público a adorava.

Sempre se fala que o último filme de Marilyn é o crepuscular Os Desajustados, seu filme terminal com Clark Gable, roteiro do então marido, Arthur Miller, e dirigido pelo grande John Huston. É, de fato, seu último trabalho completo.

Com frequência se esquece do filme interrompido Something’s
Got to Give, no qual ela começou a trabalhar, sob a batuta de George Cukor. No documentário O Fim dos Dias, temos a reconstituição dessa história e, de quebra, a montagem das imagens remanescentes da obra inconclusa. Esse período turbulento (mais turbulento que o habitual) da vida de Marilyn Monroe é reconstituído por essas imagens remanescentes e depoimentos das pessoas que com ela conviveram na época. Sua instabilidade emocional, a dependência de álcool e comprimidos, o relacionamento pouco ortodoxo com seu psicanalista Ralph Greenson, os primeiros indícios do envelhecimento, a tentativa desesperada de se tornar uma atriz dramática com Lee Strassberg, o affair com os irmãos Kennedy – tudo isso parece ter criado uma pressão insuportável. Para a atriz e para o estúdio. As filmagens de Something’s Got to Give foram interrompidas. Cerca de um mês depois, Marilyn era encontrada morta. Foi, de fato, a mais trágica das divas do cinema.

(Caderno 2)

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