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50 anos em cartaz

Luiz Zanin Oricchio

24 Fevereiro 2007 | 22h37

Vi há pouco uma reportagem na TV-5 francesa sobre as comemorações dos 50 anos de permanência em cartaz da peça A Cantora Careca, de Ionesco, no Théâtre de la Huchette. Como, 50 anos? A mesma peça? Isso mesmo. Há cinco décadas, sem interrupções, a mesma trupe interpreta o clássico de Eugène Ionesco, La Cantatrice Chauve, no mesmo teatro.

Fui vê-la, uns 20 e tantos anos atrás, levado por uma amiga parisiense. O teatrinho, de 80 lugares, que toma o nome da rua do Quartier Latin onde fica, costuma lotar. A peça é divertidíssima. Teatro do absurdo, com diálogos hilariantes. Nem sempre o público acompanha o espírito da coisa: “às vezes a platéia é brilhante, outras, medíocre”, diz um dos atores na reportagem.
Soube também que o grupo comprou o prédio onde fica o teatro. E, assim, a peça vai sendo reencenada, ano após ano. Passei por Paris há uns dois ou três anos e, caminhando pelo Quartier Latin, acabei diante do teatro. Lá estava a peça de Ionesco e lá vai continuar. Para todo o sempre? Claro que não. Não vai durar tanto quanto a Notre Dame, que não fica longe dali, mas 50 anos, nessa época em que tudo dissolve no ar, é já um tempo e tanto, convenhamos.

Não sei direito por que, a notícia da TV-5 me alegrou. Num dia um tanto difícil, me trouxe certo alívio. A vida é feita disso, das coisas que mudam e das que permanecem. Nós mesmos nos achamos entre essas duas extensões do tempo e fazemos parte das que mudam.