Los Muchachos de Antes no Usaban Arsénico
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Los Muchachos de Antes no Usaban Arsénico

A Grande Dama do Cinema é remake do também interessante Los Muchachos de Antes no Usaban Arsénico (1976), do diretor José Martínez Suárez.

Luiz Zanin Oricchio

17 de maio de 2019 | 13h15

 

 

As matérias (críticas e reportagens) sobre o novo filme de Juan José Campanella A Grande Dama do Cinema têm dito que se trata do remake de Los Muchachos de Antes no Usaban Arsénico (1976), do diretor José Martínez Suárez.

Los Muchachos, como seu sucessor, é uma “comédia negra”, como definem os hermanos. A diva aposentada, Mara Ordaz (Mecha Ortiz) vê, em seu cineminha particular, suas obras do passado – na verdade são trechos de Madame Bovary, de 1947, dirigida por Carlos Schlieper.

A situação imaginada pelo filme mais antigo (em roteiro original de Suárez) é mais ou menos a mesma que chega agora na versão moderna. Com algumas diferenças. Quem de fato mora com a diva aposentada é seu marido paraplégico e mais o médico da atriz e seu empresário – na versão contemporânea são o marido, o diretor e o roteirista (Campanella preferiu concentrar as profissões dos aposentados no próprio fazer direto do cinema). A arrivista Laura Otamendi é vivida por Bárbara Mujica. No filme antigo ela está só. No contemporâneo, a personagem surge em dupla com um rapaz para tentar enganar os velhinhos.

As ações parecem mais concentradas em seu espaço único e o estilo de Suárez um tanto mais clássico e despojado que o de Campanella que, não raro, tende ao pop e a um certo exagero, segundo as aspirações da nossa época.

No resto, seguem parecidos, inclusive na inspiração um tanto misógina à la Billy Wilder e na solução do conflito humano em termos de um jogo radical, às vezes mortal, como no caso. Também o desfecho de Suárez, que aqui não vou revelar, é ainda mais misógino e impiedoso que o de Campanella.

Soube, através de uma amiga, que Suárez, aos 93 anos, continua ativo e dirige o festival de Mar del Plata. Vi-o em entrevistas no YouTube em que conta da época de lançamento de Los Muchachos… e de como alguns temas tornados comuns pela ditadura militar nele comparecem. Os dos “desaparecidos”, por exemplo, e a modernização radical e cruel do país, representado pela figura feminina que tenta por todos os meios desalojar os velhotes de sua propriedade para lucrar com o negócio.

Los Muchachos de Antes no Usaban Arsénico foi o filme escolhido pela Argentina para concorrer ao Oscar. Mas não chegou à finalíssima.

Vale a pena ver.

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