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Zanin

Luiz Carlos Merten

21 de setembro de 2012 | 08h38

Precisei abrir a pasta de todos os posts para descobrir qual foi o último. Estava indo ver os extras da caixa de DVDs de 007, comemorativa dos 50 anos da série oficial com o agente criado pelo escritor Ian Fleming. Talvez fosse um sinal do que seriam minhas dificuldades ao longo da semana, mas o incêndio na favela paralisou a cidade e eu perdi o evento. À tarde, desci para a Baixada, para entregar a Luiz Zanin Oricchio o troféu que recebeu do Curta Santos. Havia ficado sob um sol de rachar com o grupo com o qual deveria compartilhar a van. Quando ela chegou, o ar condicionado gelava até a alma. Quando chegamos, já estava esbodegado. No dia seguinte, estava na emergência do 9 de Julho e o raio X diagnosticou uma sujeira no pulmão, como disse o médico. Voltei ao antibiótico pesado. Conto isso só para dar notícia da minha ausência nesses dias todos. De maneira nenhuma estou responsabilizando a ida a Santos pelo fato. Já devia estar debilitado por conta das diferenças de temperatura em São Paulo. E gostei de ter ido. Fiz um pequeno discurso lembrando nosso começo, do Zanin e meu, no ‘Estado’. Formávamos com Leila Reis um grupo animado que, volta e meia – todo dia? -, se reunia para beber e cantar no bar do Alemão. Depois, é inevitável, cada um seguiu seu caminho. Surgiram eventuais desavenças, a gente briga por esporte, mas acho que o respeito tem prevalecido e isso é o mais importante. Não há deslealdade entre nós. Me emociono quando escrevo isso. Me emocionei, pelo Zanin – mais até do que quando eu próprio recebi meu troféu. Sua vitória – o reconhecimento – veio num ano especial. Dez anos de Curta Santos, 100 anos de Santos Futebol Clube. As cores, o hino, a diretoria do clube. Garotos numa coreografia com bolas, cheerleaders. Estava sei lá que jogador – sorry -, mas Zanin lembrou o gol de 1962 que fez com que ele virasse santista para toda a vida. Foi uma festa e tanto. Deveria ter permanecido em Santos, e gostaria de ter visto, na quarta, o vencedor de Gramado, mas não deu. Já estava bem mal. Corri para a rodoviária e peguei o último ônibus da noite. Ao desembarcar no Jabaquara, passado da 1h30 (madrugada), tomei um táxi e peguei a cidade deserta, sob uma luz amarelada. Não consigo verbalizar a beleza, mas depois daquela euforia toda a sensação de isolamento me fez um bem danado. E aqui estou, baleado mas não morto. Mesmo não estando 100%, acredito ter feito boas entrevistas com Oliver Stone e Philippe Lioret, mas ontem estava particularmente mal – o antibiótico me deu enjoo – e creio que a redação da entrevista com Mark Wahlberg, na capa de hoje, poderia ter sido melhor. Não que esteja ruim. Conversamos sobre a carreira, sobre ‘Boogie Nights’ e ‘Quatro Irmãos’, e tudo isso ficou de fora em benefício de ‘Ted’, somente. Com mais tempo, e cabeça, teria sido mais sintético e poderia ter aberto espaço para os outros assuntos. Não estou me desculpando, apenas refletindo com meus botões. Preciso cuidar de mim um pouco. Na semana que vem, começa a maratona do Festival do Rio. Mais diferença de temperatura, ar condicionado. Se não ficar esperto, numa dessas eu vou.

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