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Yamada-sensei

Luiz Carlos Merten

03 de fevereiro de 2014 | 23h43

Revi hoje Família em Tóquio, Tokyo Family, o longa de Yoji Yamada inspirado em Era Uma Vez em Tóquio – Viagem a Tóquio -, de Yasujiro Ozu. O filme estreia sexta no Cinesesc e, na próxima semana, volta o filme de Ozu. Os dois permanecerão em cartaz simultaneamente, por uma ou duas semanas, porque depois a sala da Rua Augusta já está comprometida com a reestreia, em cópia nova, de O Iluminado, de Stanley Kubrick.  Os filmes de Yamada e Ozu foram comprados pela Esfera, e acho que fui eu que dissuadi os donos da empresa de lançarem os dois juntos. Ouseu sugerir que Ozu é mais austero, rigoroso, mas isso n~]ao implica, necessariamente, que seja melhor. Essa gente tem, de começar a pensar por si, não repetir, feito papagaio, o que repetem, as enciclopédias. Yamada foi discípulo de Ozu, Realizou a série mais longeva do cinema mundial – É Triste Ser Homem, com 30 e tantos filmes – e ganhou mais Kinema Jumpos, o Oscar japonês, que Akira Kurosawa, Kenji Mizoguchi e o próprio Ozu juntos. Mas, claro, tive de ouvir hoje na cabine realizada no próprio Cinesesc que Yamada, perto de Ozu, é ninguém. Um diretor ‘menor’. Em geral teria dado alguma patada, mas ainda estava traumatizado pelas perdas, e pela perda – Coutinho, Coutinho, Coutinho – do fim de semana. Resolvi fazer ouvidos moucos. No jornal, também tive de ouvir que a a filha adotiva de Woody Allen é uma cadela, que se ele realmente fez tudo aquilo com ela a garota deveria acionar a Secretaria da Mulher dos EUA e não ficar enviando cartinhas ao The New York Times. Ouvi isso de feministas de plantão, não dos brucutus, e não entendo mais nada. O mundo está virado. A vítima é a culpada. Claro, deve ser difícil aceitar que um dos nossos diretores preferidos pode ser um canalha, mas fazer o quê? Simplesmente achar que se trata de uma conspiração armada por Mia Farrow, que fez lavagem cerebral nos filhos, para que eles, 20 e tantos anos depois, a vingassem?  As fotos pornográficas que Woody fez de Soon-Yi e ‘esqueceu’ na lareira já depunham conterá ele, na época, mas enfim, ele se casou com as enteada da mulher e, como no código primitivo, lavou sua honra. Não foi sempre assim? Deflorou, tem de casar. Não sei por que posto isso, talvez me arrependa, porque, na realidade, minha intenção original era só deixar registrado como Yamada é bom. Embarco amanhã para Berlim, e no festival que começa quinta há outro filme dele na competição. Com os de Alain Resnais – Amar Beber Cantar – e o de Karim Ainouz -A Praia do Futuro – talvez sejam os que mais quero ver. É tarde. Meu voo é à tarde e tenho muita coisa para fazer, até ultrassom às 8 da manhã. Vejam o Yamada, e depois, (re)vejam o Ozu, é só que peço.

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