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Yamada-san

Luiz Carlos Merten

26 de fevereiro de 2010 | 08h56

PARIS – Citei ontem, en passant, a exibição de ‘Terra em Transe’ na Cinemateca Francesa e emendei com a inclusão de ‘O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro’, aliás, ‘Antônio das Mortes’, na retrospectiva de Berlim. Só depois, olhando o Pariscope, dei-me conta de que não são coisas isoladas. O Musée du Quai Branly, là ou dialoguent les cultures, onde dialogam as culturas, promove, desde quarta, o evento ‘Brasil, le Grand Mix’, com espetáculos de capoeira e noites à base de sonorités chaudes et metissées, com sonoridades quentes e mestiças. O Brasil esquenta o inverno parisiense. Legal. Mudando o registro, havia-me esquecido de postar que, saindo de Berlim, na segunda-feira, estava no aeroporto (Tegel), tomando um café com Orlando Magarido, que seguia em outro vôo, quando o Orlando me perguntou – não é o Yamada? Era. O mestre japonês da série ‘É Triste Ser Homem’ mostrou, no encerramento da Berlinale, seu novo filme, ‘About Her Brother’, do qual gostei bastante, e espero que Leon Cakoff e Ilda Santiago o levem para a Mostra de São Paulo e para o Festival do Rio, porque vocês merecem vê-lo, também. Yamada recebeu um prêmio especial, a Berlinale Kamera. Ele lembrou que outro grande japonês, Kon Ichikawa, havia recebido o mesmo prêmio e o filme dele é a retomada de outro, com o mesmo título, que Ichikawa-san fez acho que nos anos 1950 (ou 60). Mas, enfim, Yamada, no aeroporto, era escoltado pelo pessoal da Berlinale. Não resisti e, impulsivamente, corri para ele e, chamando ‘Yamada-san’, me inclinei para saudar o grande diretor. Disse que Orlando e eu éramos jornalistas brasileiros e acrescentei que havíamos visto ‘About Her Brother’. A assessora traduziu, ele quis saber se eu havia gostado. Respondi que sim, muito. O velhinho se curvou para mim, em retribuição. Tão japonês, tão educado. Ele sorriu, aquele riso de entendimento. São momentos raros na vida da gente.

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