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Western curdo

Luiz Carlos Merten

26 de maio de 2014 | 19h30

ARIS – Lembrei-me hoje de Leon Cakoff. Ele teria amado My Sweet Pepper Land, do cineasta do Curdistão, Hiner Saleem. Perguntei-me depois que raio de intuição me levou a ver este filme, quando havia tantos outros para escolher, na extensa programação de Paris. O importante é que vi, e amei. Um faroeste curdo. Em Cannes, houve uma overdose de cinema de gênero. Muitos westerns. O de Hiner Saleem mostra policial que, para fugir à mãe que quer casá-lo, aceita um cargo num lugarejo distante, na fronteira com a Turquia. Para lá também se dirige uma garota que quer ser professora, e para isso precisa enfrentar a oposição da família – dos pais e dos numerosos irmãos, que só querem que ela faça o que para eles é um bom casamento, mas ela não acha. O policial pega em armas contra o poderoso local e sua gang, e se envolve com a garota, claro. Kiss-kiss, bang-bang. O que mais se pode esperar/desejar do cinema? Jean-Thomas Bernardini, da Imovision, bem poderia distribuir o filme no Brasil, porque afinal ele  é produzido por Robert Guédiguian, que tem sido levado ao País, regularmente, pela distribuidora. Mas a verdade é que, já que me lembrei de Leon, Renata Almeida, da Mostra, também poderia levar My Sweet Pepper Land para o Brasil. O importante é que o filme seja visto. O mesmo cinema, o Reflet Médicis,. exibia duas reprises em cópias novas, restauradas – Scarlet Street, Rue Rouge, de Fritz Lang, com a dupla Edward G. Robinson/Joan Bennett, e Wild River, de Elia Kazan, com Montgomery Clift e Lee Remick. Por uma questão de horário, vi – vimos, Dib Carneiro estava comigo – o Fritz Lang. La Chienne, em versão americana. Nunca vou entender como, durante tanto tempo, a obra hollywoodiana de Lang foi tão negligenciada. Com exceção de M e de alguns Mabuses, sua obra expressionista envelheceu, enquanto os melodramas criminais e westerns feitos nos EUA já eram modernos avant la lettre. Peter Bogdanovich foi dos primeiros as perceber isso, e o livro dele, Fritz Lang in América, é daqueles que tenho prazer em reler sempre., Jantamos num simpático restaurante da Rive Gauche, com Notre Dame de fundo. Pode parecer pedante, mas amo essa cidade.

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