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Wagner Moura de volta a Berlim, com Marighella

Luiz Carlos Merten

11 Janeiro 2019 | 11h27

SANTIAGO – Cheguei a ligar para algumas assessorias, para ver se confirmava, porque tinha certeza de que o Marighella de Wagner Moura estaria em Berlim. No início do ano passado, Wagner prometia agilizar para terminar e lançar seu filme ainda antes da eleição, antecipando que a direita estava se armando com tudo e a esquerda não poderia se intimidar, fugindo da raia no processo eleitoral. Ocorreu o que houve, esquerda dividida, trocando acusações e a turma do ‘Jairzinho’ – socorro, deixa o jogador em paz – fortalecendo o mito nas redes sociais. Wagner sumiu – para mim. Talvez estivesse ativo nas redes sociais, e esse é um universo do qual não faço parte, mas na chamada grande imprensa não o vi mais. Toquinho foi tão discreto, não fez nenhuma referência em seu show no Rio e até colocou nas nuvens o Chico Buarque que os bolsominions transformaram na sua Gení – joga pedra no Chico! -, aí vocês podem imaginar meu choque quando, naquele jantar no Duas Terezas, me disseram que ele fazia parte da tropa de choque do bolsonarismo nas artes. Fiquei triste, embora não a ponto de querer agora negar o show, que foi tão lindo. Enfim, Marighella está pronto e confirmado na competição de Berlim, na qual vai passar fora de concurso, como atração especial. Nesse Brasil atual, um filme sobre o guerrilheiro de esquerda que combateu a ditadura militar é mais que um ato de coragem, só espero que não seja suicídio. Com tanta gente negando que houve ditadura militar e o presidente eleito cultuando o Coronel Ustra, Wagner Moura e Seu Jorge, que faz o seu Marighella, estão se arriscando muito. Wagner brigou comigo, e nem quis me dar entrevista no lançamento daquele filme do Stephen Daldry sobre lixo. O estopim foi um disse-não disse no lançamento de Praia do Futuro, de Karim Ainouz, que amo, e o filme havia concorrido na Berlinale, onde Wagner e o diretor José Padilha ganharam o Urso de Ouro, outorgado pelo júri de Costa-Gavras, por Tropa de Elite, o 1. Vamos ver se ele continuará renitente comigo em Berlim. Espero que não, porque não sou, nunca fui inimigo na trincheira e torço pelo filme que estará representando o Brasil na Berlinale. Aliás, os filmes. Minhas amigas assessoras – Margarida Oliveira e Ana Luiza Müller – têm filmes no Panorama, agora o Marighella na mostra principal. Preciso me cuidar em Tiradentes. Forcei a perna naquelas ladeiras, no ano passado, voltei estropiado e, com o joelho estourado, terminei cancelando a ida para Berlim. Este ano é minha prioridade. Berlinale, com Marighella, o filme!