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Vocês sabiam?

Luiz Carlos Merten

19 de abril de 2015 | 00h03

Me bateu uma profunda tristeza. Explico – fiquei ontem até tarde no jornal, jantei com meu amigo Dib Carneiro e vim para casa. Dei uma zapeada e passava num canal pago o 8 Mile de Curtis Hanson, Rua das Ilusões no Brasil. Já havia começado, mas vi até o final Eminem como o branquelo que, em Detroit, entra para o mundo do rap e desafia os blacks que o dominam. Ele apanha, é rebentado, dá a volta por cima, mas, no desfecho, o ‘artista’ é um  metalúrgico que volta para completar seu turno na fábrica.Eminem! Lembro-me que, na época, escrevi uma coisa que muitos me cobraram.. Te cuida, Leonardo DiCaprio. Sei lá com qual filme de Leo o lançamento de 8 Mile coincidiu e eu simplesmente achei que Eminem tinha mais pegada na cena de sexo. Não só nela. Ontem, revendo o filme, não me arrependi. As cenas dele com a desglamourizada Kim Basinger – como a mãe meio vagabunda que mora no trailer e apanha do amante – tinham uma qualidade tão sincera, uma dor genuína. Havia me perdido de Eminem. E de Curtis Hanson. Onde anda? Comecei minha pesquisa sobre o diretor e tomei o maior choque. Hanson é da classe de 45, só um pouco mais velho que eu – é de março, eu, de setembro. Ele já fez, daqui a pouco para mim serão 70 anos. 70! Onde anda o ‘velho” Hanson? Está retired/aposentado desde 2006, quase dez anos, por causa do Alzheimer, taí a origem da minha tristeza. Isso significa que ele manifestou a doença aos 60, por aí. Ainda fez alguma coisinha – um telefilme, um episódio de série. Desde 2011 está relegado ao silêncio. Hanson era um diretor de segunda – A Mão Que Balança o Berço, O Rio Selvagem -, até que Los Angeles, Cidade Proibida, baseado em James Ellroy, LA Confidential, revelou a extensão de seu talento. Ele engatou vários bons filmes (mas Los Angeles continuou sendo seu melhor, reconheço). E agora, como a personagem de Julianne Moore em Para Sempre Alice – retirement! Lembrei-me de Annie Girardot, a Nádia de Rocco e Seus Irmãos. De meu amigo Tuio Becker, cuja saudade tem me assombrado desde que vi o Filme do Bom Fim no É Tudo Verdade (tão bom, tão bem montado). A vida, a doença podem ser cruéis. Tantas carreiras brilhantes brutalmente interrompidas. A morte em vida. Ninguém merece. Curtis Hanson não era só ótimo diretor. Era ótimo roteirista. Los Angeles, Garotos Incríveis, Rua das Ilusões, Em Seu Lugar – são todos bem escritos e interpretados. Fui procurar por Eminem na rede. Ouvi seus rap nas trilha de 8 Mile. Não me admira que a  MTV o tenha colocado em sétimo lugar – sétimo! – no panteão dos ícones da música pop. Mas eu aqui continuo triste por Curtis Hanson.

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