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Voa, Alejandro!

Luiz Carlos Merten

23 de fevereiro de 2015 | 03h35

Não hesito em repetir, numa versão mais poética, meu título no Caderno 2 de amanhã. Pelo segundo ano consecutivo, conseguimos dar toda a premiação do Oscar. E, pelo segundo ano, os mexicanos ditaram as cartas em Hollywood. Tem gente que vai lembrar que são filmes falados em inglês, mas tanto Alejandro González-Iñárritu (Birdman) como Alfonso Cuarón (Gravidade) se lançaram nessa onda de globalização, fazendo filmes dentro da ‘Babel’. E Alejandro foi um passo, não, dois passos à frente de Cuarón, que foi melhor diretor mas não levou melhor filme (venceu, no ano passado, 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen), enquanto Iñárritu somou o prêmio de direção aos de filme e roteiro. Não sou fã de Birdman, vocês sabem, mas se há uma coisa que não se pode discutir é que houve coerência nessa premiação. A direção de Iñárritu se baseia naqueles elaborados (e longos) planossequências que unem as cenas de diálogos ou de conflitos mais físicos, e a Academia também outorgou o prêmio de fotografia a Emmanuel Lubezki. Valeu o tour de force e eu admito que, mesmo preferindo o Clint, terminei aceitando a tríplice escolha. Os prêmios de interpretação não surpreenderam – Eddie Redmayne, Julianne Moore, Patricia Arquete e J.K. Simmons haviam vencido todas as (pré-)indicações do Oscar. Eu teria preferido Bradley Cooper e Marion Cotillard, mas foram escolhas das mais honrosas. Patricia virou a heroína da noite com seu discurso em defesa da igualdade para as mulheres – o meme da reação de Meryl Streep estourou na cobertura online do Estado – e Julianne batalhava há tanto tempo pelo prêmio que o merece pelo conjunto da obra. E deu Ida, do polonês Pawel Pawlikovski, na premiação de filme estrangeiro, o que também achei bem bacana, já que Timbuktu, de Abdehrramane Sissako, não ia levar mesmo. Não faço gênero, mas a tal Lady Gaga eu só conhecia de ouvir falar. Gostei da releitura dela de The Sound of Music e, claro, estava esperando que a eterna noviça rebelde aparecesse na sequência, o que de fato ocorreu. Grande julie Andrews. Não me lembro de um apresentador que tivesse ficado de cueca, como Neil Patrick Harris, em homenagem a uma cena com Michael Keaton em Birdman. Claro que não foi o cara nu correndo no palco em 1973 – no texto do Caderno 2, peço desculpas, errei dizendo que foi em 1972, enquanto Sacheen Littlefeather, a falsa índia, recusava o prêmio em nome de Marlon Brando, por O Poderoso Chefão, mas foi no ano seguinte. Já que o tema é o nu, a própria Sacheen, que não era índia, mas uma atriz B, posou pelada para a Playboy. Enfim, é tarde, vou dormir. Amanhã, ou daqui a pouco, tem mais.