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Vidro!

Luiz Carlos Merten

08 Janeiro 2019 | 14h54

Fiz minha físio pela manhã e estava vindo para o laptop, para postar, quando me deu de conferir os e-mails, para ver se havia aviso de cabine. Havia – de Glass/Vidro. Tive de correr, mas consegui ver o filme de M. Night Shyamalan. Em dezembro, o diretor esteve em São Paulo, na CCXP, e contou, em seu painel, como Mr. Glass, de Unbreakable/Corpo Fechado, surgiu como trilogia em seu imaginário. Dunn/O Vigilante, em Corpo Fechado; Kevin, em Fragmentado; e agora o Sr. Vidro. Não sei gostei de Vidro, não sei se é um filme para ‘gostar’. Shyamalan criou sua trilogia para discutir super-heróis, e a necessidade deles, na vida das pessoas – na nossa vida. O que eu vou dizer não vai fazer sentido para quem não tiver visto o filme, que estreia dia 17. Pura teoria da conspiração. O mundo divide-se entre perturbados e, digamos, racionais. O segundo grupo quer eliminar o primeiro porque não existem super heroes sem bad guys/vilões, e vice-versa. Lembrei-me de Tina Turner cantando We don’t Want/Need a Superhero, em Mad Max – Além da Cúpula do Trovão, quando foi isso? Em 1985, ou seja, antes que Tim Burton iniciasse com seu Batman, que é de 1989, a explosão dos super-heróis no cinema. (Por falar em Tim Burton, é um diretor que, há anos, parou de me interessar, mas seu Dumbo, cujo trailer revi hoje na sessão de imprensa de Vidro, me deixa louco. Ando com meu ânimo oscilando, mas quando vejo Dumbo e penso nos demais filmes que quero ver – o trailer de Vingadores – Ultimato é maravilhoso -, sinto que tenho de dar um jeito de me manter por aqui, quero dizer, vivo.) A questão é – qual teoria da conspiração? Tem a ver com os tais super-heróis ou com os celulares que ocupam toda a parte final do filme, com a sua revelação da ‘verdade’? Remember Franklin Foer e O Mundo Que não Pensa, A Humanidade Diante do Perigo Real da Extinção do Homo Sapiens, em que o autor questiona a crença na utopia digital e a necessidade urgente de criação de uma ética para as novas mídias sociais. Saí da sessão de Vidro desconcertado e, agora, sim, gostaria de entrevistar Shyamalan e não apenas tendo visto o início de seu filme, como ocorreu em dezembro. O duro de falar sobre o novo Shyamalan é que é difícil dizer qualquer coisa sem risco de spoiler, e o próprio autor cria, entre as 24 ‘personas’ de James McAvoy, o tal Pritchard, crítico especializado no cinema japonês dos anos 1950 a 80 (e que, volta e meia, é acusado de ‘entregar’ o desfecho das tramas).