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Vidas negras importam

Luiz Carlos Merten

04 de junho de 2020 | 16h29

Lá, aqui. Tenho acompanhado pela TV as grandes manifestações que se sucedem nos EUA. Depois das pilhagens iniciais, são agora protestos pacíficos. Tenho me emocionado bastante. É como voltar no tempo, aos anos 1960. Apesar de tudo, não se pode perder o foco, nem a esperança. A Covid, Bolsonaro, Trump, toda essa desgraceira vai passar. Só espero viver para ver. Continuo com a mimnha série de clássicos. A Aventura, Queimada!, A Primeira Noite de Um Homem, Umberto D. E ontem fiz uma lista de filmes sobre racismo, uns 20, incluindo obras que significam muito para mim. O Mundo não Perdoa, Audazes e Malditos, Sounder (Lágrimas de Esperança), Faça a Coisa Certa. Viajar nas lembranças tem sido gratificante, mas também tem havido momentos duros. Tanta coisa, tanta gente em que acreditei. Tantos sonhos, os da minha geração – mudar o mundo, uma sociedade igualitária – destroçados pela realidade. Há que, de alguma forma, reconstituí-los. Tenho recebido e-mails lindos – de Cacá Diegues, Virginia Cavendish, Antônio Gonçalves Filho. Não estamos sozinhos. Fiz esta semana entrevistas por telefone que me encheram a alma – com Caco Ciocler, Georgete Fadel. Estou velho, o isolamento reforça a urgência. Chico Buarque tem me acudido.
Vai passar
Nessa avenida o samba popular
Cada paralelepípedo
Da velha cidade
Essa noite vai
Se arrepiar.

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