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Viajando na animação, ou Por onde anda o Submarino Amarelo?

Luiz Carlos Merten

30 de março de 2020 | 22h55

Foi a primeira vez que ouvi, ou melhor, li o nome de Hayao Miyazaki, não pelos próprios filmes, mas pelo trabalho junto a grandes diretores de animação japoneses, como Hiroshi Ikeda e Isao Takahata. No começo dos anos 1970, eu já trabalhava como jornalista de cinema em Porto Alegre. Naquela época, chegavam às bancas da cidade publicações especializadas francesas, não as famosas Cahiers e Positif, mas outras revistas, como Écran e La Revue du Cinéma. Estava mexendo outro dia nas pilhas de livros e revistas que atravancam minha casa e encontrei algumas edições da Revue. Não tão antigas, é verdade, porque datam de abril e maio de 1987, mas que se revelaram muito interessantes quando as folheei. Cinema e ópera, a partir do filme em episódios, Ária; o futuro do cinema soviético, por meio de autores como Elem Klimov e Tenguiz Abouladzé, que eu duvido que a maioria de vocês tenha ideia de quem seja; Michael Scorsese e A Cor do Dinheiro; o horror parasitário de David Cronenberg, etc. Volto à Écran. No começo dos anos 1970, em 1973, acho, a revista dedicou uma edição inteira à animação, listando as melhores de todos os tempos. Foi quando ouvi falar de – ou li sobre – Miyazaki. Até onde me lembro, Disney entrava na lista com Fantasia e Branca de Neve e os Sete Anões, mas não me lembro se Bambi, Pinóquio e A Dama e o Vagabundo eram citados. O que tenho certeza é que a melhor animação de todos os tempos, segundo a revista, era a psicodélica O Submarino Amarelo, de George Dunning, com trilha (e produção) dos Beatles. E por que estou nessa viagem? Recebi a revista da Net de abril, a Monet, e a chamada de capa era para os 50 melhores filmes de animação. Eles não estão listados pela ordem, pelo menos não aparecem os números. O primeiro filme é Frozen, o maior sucesso de bilheteria de toda a história da Disney, mas nem de longe o melhor filme produzido pelo estúdio, e muito menos a melhor animação da história. Com exceções – da Disney: Pinóquio, Dumbo, Cinderela, A Dama e o Vagabundo; algum Miyazaki, A Viagem de Chihiro, etc -, a lista omite filmes antigos e o cinema internacional, e só pega produções recentes dos estúdios de Hollywood, menos mal que alguns de que gosto muitíssimo, como Ratatouille, O Rei Leão e Toy Story (recentes, em termos). A animação europeia simplesmente não existe, apesar de George Dunning, Richard Williams, Michel Ocelot, nem o da escola checa, com Jiri Trnka e Karel Zeman. Será que os organizadores da lista ouviram falar do canadense Norman McLaren? Não creio. Animação brasileira? Devem achar desanimadora. Os 50 melhores filmes de animação? Não – só os 50, e alguns nem tão bons, disponíveis na Net.

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