As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Verdades ou mentiras

Luiz Carlos Merten

21 de agosto de 2013 | 09h27

Não, não tem nada a ver com o belo F for Fake, de Orson Welles. Fui ontem cortar o cabelo para aquietar o meu ‘moicano’. Sei lá por quê, mas quando meu cabelo cresce fico, naturalmente, com um topete à Neymar. É mole? Mas, enfim, fui cortar o cabelo e é o local em que leio Playboy. A do mês passado, ou do mês anterior  tinha aquelas fotos lindas da Nanda Costa, benza Deus! A deste mês tem a entrevista de Ricardo Darín, em que ele esculhamba Pelé e manda a imprensa de celebridades a pqp. Darin não apenas deu uma cara ao cinema argentino. É um ator poderoso, com um rosto de pedra, no estilo dos astros da Hollywood dos anos de ouro. E tem um puta carisma, o que é o principal. Vou falar daqui a pouco, ou outro dia, de uma entrevista com Paul Schrader em Film Comment de july/august. Ele diz que um diretor pode e deve filmar a falta ou o mau comportamento que retratam a sociedade, mas nada pode contra a falta de carisma do elenco. Interessante ponto de vista. Gosto bastante do Darin e acho que o cara tem de ser muito macho para interpelar a presidente, como ele fez com Cristina Kirchner, e cagar para a imprensa de celebridade, que, por isso mesmo, o deixa em paz. Detesto o luxo brega e programado de Caras, mas acho curioso que as revistas norte-americanas do gênero sejam pulps, com papel e diagramação bem vulgares. Por isso mesmo, sempre termino olhando as chamadas de capa, que têm sempre uns dez assuntos. Nunca sei se dá para levar a sério – a se julgar por essa imprensa, Angelina Jolie pode ter ‘tirado’ Brad Pitt de Jennifer Aniston, mas até hoje ela o encontra tentando telefonar às escondidas para a ex na cozinha, de madrugada. Imagino a cena, que algum roteirista, nacional inclusive, poderia adaptar e a gente ia morrer de rir. As chamadas desta semana são punks – o divórcio de US$ 300 milhões de Michael Douglas e Catherine Zeta-Jones e, segundo as revistas, ambos parecem dispostos a repetir na realidade a guerra dos Roses que ele representou na ficção. Buemba! Buemba! George W. Bush teria confessado à mulher, Laura, que realmente teve um affair tórrido com Condolezza Rice, o que me leva a crer que, assim como existe as figura do mordomo, butler, na Casa Branca – e Lee Daniels fez seu melhor filme sobre isso, também existe a figura da amante do presidente. A Pompadour de Lyndon B. Johnson possui uma gravação em que ele, ‘desprotegido’ – deve ter sido ‘depois’ -, confessa que esteve envolvido no assassinato de John Kennedy. Lee Daniels, a propósito, reproduz aquele dias em Dallas de dentro da Casa Branca, numa perspectiva que a gente nunca viu.  Misturei alhos com bugalhos, não sei se porque queria falar do divórcio do século ou do ‘crime’ do século passado. Impressiona-me como o assassinato de Kennedy ainda gera especulações, e mais ainda agora que o cinquentenário da data se aproxima, em novembro. O que há de verdade nisso? São só especulações? A análise histórica não se faz de suposições, mas volta e meia me pego pensando – e se Kennedy não tivesse sido morto? E se a Casa Branca tivesse permanecido ‘Camelot’ pelos míticos anos 1960? Isso me lembra uma fantasia científica que sempre adorei, aquela em que o Nimitz, o maior porta-aviões dos EUA, nos anos 1970, entra numa fenda do tempo e vai parar em Pearl Harbour, na véspera do ataque japonês. O comandante Kirk Douglas interfere na História? E quais serão as consequências, se o fizer? O filme é O Nimitz Volta ao Inferno, do diretor (e ex-ator) Don Taylor. Muito legal.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.