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Vamonos com quem? Pancho Villa!

Luiz Carlos Merten

14 Janeiro 2019 | 11h08

SANTIAGO – Qual é a possibilidade de isso estar ocorrendo? Há dez anos, quando estive (de novo) aqui no Chile, havia não sei que ciclo na Cinemateca Nacional e pude assistir a Vamonos con Pancho Villa, obra mítica do cinema mexicano que integra a trilogia revolucionária (sobre a Revolução no México) de Fernando de Fuentes, com El Compadre Mendoza e El Prisionero 13. De Fuentes é considerado o patriarca do cinema más allá del Rio Grande, o Humberto Mauro deles, e o curioso é que a trilogia foi um fracasso de público do qual ele se recuperou fazendo, em seguida, Allá en el Rancho Grande, que estabeleceu um tipo de comédia rancheira que, a partir dos anos 1930, identificou uma vertente do cinema popular do México. Pois bem – de volta ao Chile, vi ontem no Centro Cultural La Moneda a exposição Tierra de Jinetes, sobre o impacto cultural que a introdução do cavalo europeu operou em toda a América, e não apenas a Latina, a partir de 1493. Surgiram o charro, o llanero, o chalán, o gaúcho e o cowboy, e para celebrar a tierra de jinetes a Cineteca promove a exibição de alguns filmes essenciais, entre eles… Vamonos con Pacho Villa, que pretendo rever amanhã à tarde. Hoje, dentro do programa, passa Ay Jalisco no te Rajes, de Joselito Rodrigues, outro clássico mexicano, de 1941, que tem tudo a ver com a música de mesmo nome. Às vezes é chato estar viajando sozinho, mas, culturalmente, essa vinda ao Chile está me saindo melhor que a encomenda. E, ah, sim, ao abrir a janela do quarto de hotel, nesta manhã, tomei um susto. Vento nas árvores e as pessoas vestidas de inverno. A temperatura caiu no verão santiagueño, mas, na recepção, me informaram que é assim mesmo.