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Uma voz nas sombras? Philip Yordan

Luiz Carlos Merten

29 Janeiro 2019 | 09h55

Havia citado o nome do roteirista Philip Yordan no final do post anterior, sobre Os 55 Dias de Pequim. Resolvi fazer uma pesquisa. Encontrei o necrológio do The Guardian. Yordan morreu em 24 de março de 2003. Descobri coisas que desconhecia. Embora tenha o crédito pelo roteiro de grandes filmes, Yordan muitas vezes serviu de fachada para roteiristas impedidos de trabalhar, por estarem na lista negra (do macarthismo). Foi assim com Ben Barzman e Bernard Gordon. Ganhou o Oscar pela história e pelo roteiro de A Lança Partida, de Edward Dmytryk, mas o filme é um remake de Sangue do Meu Sangue, transferido para o Velho Oeste. Joseph L. Mankiewicz não quis crédito. Li, e não sem surpresa, que Yordan era um grande dialoguista, mas não necessariamente um mestre na estruturação da curva dramática de seus personagens (e roteiros). Décadas ajudando a construir o mito de Yordan como roteirista de Anthony Mann e Nicholas Ray e agora descubro uma figura bem mais complexa e até sombria. Uma fachada – o homem que matou o facínora? O tal obituário do The Guardian foi uma caixinha de surpresas. Sabia dos problemas de Ray com o produtor Samuel Bronston e de seu ataque cardíaco durante a filmagem de Os 55 Dias de Pequim. The Guardian credita o filme a Ray e a Guy Green – sempre ouvi dizer que Andrew Marton e o próprio Bronston haviam concluído a produção. Outra surpresa – Ray Bradbury, o grande autor de ficção científica, seria o autor do monólogo final de Cristo em O Rei dos Reis, e também teria escrito o texto em of que Orson Welles narra no épico religioso de Ray. Como produtor de Custer of the West, Os Bravos não se Rendem, de Robert Siodmak, de 1968, Yordan deu crédito a dois roteiristas da lista negra, o citado Gordon e Julian Zimet, além de bancar a visão desmistificadora, pró-índio, mas teria sido documentada a frase que teria dito a ambos – “Judeus como vocês estão arruinando a indústria com essa merda de anti-heróis.” Philip Yordan! Ainda preciso deglutir e assimilar essas informações que, de certa forma, alteram conceitos há muito estabelecidos no meu inconsciente de cinéfilo.