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Uma vida em pecado, para quem quiser decifrar o título

Luiz Carlos Merten

15 de novembro de 2016 | 11h52

Estou em casa, fazendo hora para uma entrevista acordada para daqui a pouco. Fiz o que não costumo fazer. Enriquecer os outros navegando na internet. (Vi certa vez um documentário bem interessante sobre o tempo e, lá pelas tantas, o especialista explica quem lucra quando as pessoas navegam, para preencher o vazio, e elas fazem isso o tempo todo. Se Marx não estivesse tão fora de moda em certas áreas, os conceitos de mais valia e alienação seriam muito úteis como ferramentas.) Enfim, alguém lucra enquanto você acha que se distrai. Pode-se perceber o estado de miséria do mundo só por aqui. Uma professora de 24 anos está indo a julgamento nos EUA por abusar de um aluno de 17, com quem manteve relações centenas de vezes durante seis meses. Ela se defende que ele se aproveitou de sua fraqueza. Teria tentado acabar com o affair, mas ele a ameaçava com escândalo. O caso só foi descoberto porque um colega (dele) viu e denunciou. Temos duas possibilidades dramatúrgicas – já estou ficcionalizando. O carinha surtou porque não estava comendo a professora, ou então porque queria o lugar dela. A professora, afastada do cargo, está trabalhando como stripper. Jesus! Isso parece enredo independente do cinema americano no começo dos anos 1960, quando surgiram filmes como Uma Vida em Pecado, de Irving Lerner, e Rajadas de Paixão, de Alexander Singer. Sem brincadeira. Longe de mim ser irresponsável nessas questões. Abuso, pedofilia são coisas sérias. Só penso com meus botões que pertenço a uma geração em que era o esperado que garotos inexperientes perdessem a virgindade com mulheres mais velhas. Esse tipo de conflito está no centro do filme que ganhou o Festival do Rio, e do qual nem gostei tanto. Fala Comigo, de Felipe Scholl. Talvez deva rever. Karine Teles tem um affair com o filho de sua terapeuta. Ela, a terapeuta, Denise Fraga, é louca de atar, mas encarna a dita ‘correção’ num mundo em desequilíbrio. Enlouquece a família inteira. Comecei esse post sem saber aonde ir e já estou chegando a algum lugar. Preciso rever Fala Comigo. Outra notícia nas redes – a musa da direita fez ensaio fotográfico seminua na Paulista. Nem sabia que existia essa personagem. Uma empresária que apoiou o impeachment exibindo os seios em protesto. Por se tratar de mulher digna, preservou os bicos dos seios tapando-os com os dizeres ‘Fora, Dilma’. E, logo, claro, arranjou empresário para agenciar seu protesto nudie. Não basta ter 15 minutos de fama. Tem de faturar em cima. Dava filme – da Boca do Lixo. Junta o garoto partidário do Bolsonaro que vi no metrô – ‘Orgulho de ser hétero’ – e o enredo está pronto. Eu é que não quero ver. Dei uma parada para minha entrevista, que vocês lerão esta semana no C2. Estou de volta. Como não costumo circular nas redes sociais, fico pasmo com essas notícias, às quais o mundo já está acostumado. Em geral, é bobagem pura. Angelina Jolie, 20 coisas que você precisa saber e vão surpreendê-lo. Cliquei, otário. Angelina Jolie quando jovem teve uma paixão platônica por Spock. Mas por que isso iria me surpreender? Por que iria surpreender alguém, neste mundo de Deus? Cansei da brincadeira. Só quero dar duas ou três notícias de cinema que encontrei na Film Comment de setembro/outubro, que citei outro dia, com altos elogios a Aquarius e a Sonia Braga. Olivier Assayas está escrevendo o novo filme de Roman Polanski, um thriller a ser interpretado por Emmanuelle Seigner e adaptado de Delphine Le Vigan. Versa sobre escritora de suspense às voltas com fã obsessivo. Promete. Outro filme anunciado, de Michel Hazanavicius, o diretor, premiado com o Oscar, de O Artista. Hazanavicius vai filmar a história de Jean-Luc Godard e Anne Wyazemski, com Louis Garrel e Stacy Martin. Vai se chamar Redoutable e será livremente adaptado de Une Année Studieuse, da própria Anne, sobre o affair. (Foram casados de 1967 a 79, mas até onde sei viveram juntos só até 1969.) Anne Wyazemski tornou-se escritora consagrada. Tem outro livro, Jeune Fille, sobre sua relação com Robert Bresson, durante a rodagem de Au Hazard Balthazar, que no Brasil se chamou A Grande Testemunha. Achei genial a forma como Film Comment define o belo Louis, e o jovem Godard não era tudo isso. ‘Sleepy and hurricane-haired…’

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