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Uma viagem no túnel do tempo para encerrar 2017

Luiz Carlos Merten

31 Dezembro 2017 | 20h22

Meu último post de 2017. Mais algumas horas e estaremos em 2018. Serão 50 anos de Maio de 68, o ano que não termina nunca. Nós que am(áv)amos tanto a revolução. É importante que acrescente o post ainda neste ano. Na quinta, 4, reestreia, em cópia nova, restaurada, A Primeira Noite de Um Homem/The Graduate. O longa de Mike Nichols foi um dos cinco indicados para o Oscar de melhor filme de 1967. Concorria com Bonnie and Clyde/Uma Rajada de Balas, Doutor Dolittle, Adivinhe Quem Vem para Jantar? e No Calor da Noite. Tirando o musical com Rex Harrison, que não é um grande Richard Fleischer, mas tem seu valor, os quatro restantes espelham as transformações que estavam ocorrendo nos EUA e no mundo. O movimento por direitos civis nos filmes de Stanley Kramer e Norman Jewison, as mudanças comportamentais da juventude no de Nichols e a convulsão da América pela violência em Bonnie and Clyde. A obra-prima de Arthur Penn foi demais para a Academia, que lhe outorgou somente os prêmios de atriz coadjuvante (Estelle Parsons) e fotografia (Burnett Guffrey). Meloso como é, Adivinhe…? fez sensação na época e levou os prêmios de atriz (Katharine Hepburn) e roteiro original (William Rose). No Calor da Noite levou o prêmio de melhor filme, mas não o de direção, outorgado a Mike Nichols, por A Primeira Noite. Passaram-se 50 anos – meio século! – e não houve publicação norte-americana de cinema que não tenha destacado a importância de No Calor da Noite e de Virgil Tibbs, o personagem de Sidney Poitier. Virgil é o policial negro de passagem pela pequena cidade sulista em que ocorre um crime. Ajuda o xerife branco (e recalcitrante) a resolver o enigma. Na verdade, resolve por ele. Sidney Poitier já recebera seu Oscar, quatro anos antes, e dessa vez a Academia nem o indicou para o prêmio, preferindo outorgar a estatueta para Rod Steiger, que perdera dois anos (por O Homem do Prego/The Pawnbroker) e levou por seu xerife. No Calor da Noite recebeu também os prêmios de roteiro adaptado e montagem. Era importante destacar tudo isso ainda em 2017, porque muito provavelmente terei de lembrar parte dessa história na quinta, quando reestrear The Graduate. E pensar que a trilha de Camelot foi vencedora, não a de Simon e Garfunkel que embala a história de Benjamin Braddock (e Mrs. Robinson). O mais incrível é que, se esteve em sintomia com o ar do tempo em 67, em 68 a Academia ignorou Maio e indicou, para melhor filme, Funny Girl, O Leão no Inverno, Rachel Rachel, Romeu e Julieta, a versão de Franco Zeffirelli, e Oliver!, que venceu duplamente, como melhor filme e direção, Carol Reed, e ainda levou score adaptado, direção de arte e um prêmio honorário para Oona White, por sua coreografia. O inglês Reed fez grandes filmes, mas há controvérsia quanto ao maior deles. Muita gente jura que, se não dirigiu, Orson Welles pelo menos imprimiu sua marca em O Terceiro Homem. Pois bem – Reed ganhou por Oliver!, que tinha seu charme, mas já era velho na época. Ganhou de Stanley Kubrick, 2001, e Franklin J. Schaffner, O Planeta dos Macacos, dois dos filmes mais influentes dos anos 1960. O segundo levou, como consolação, um Oscar honorário para a maquiagem de John Chambers, que criou os ‘macacos’.