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Uma miscelânea com Benoit Jacquot, JJ e Pedro Costa

Luiz Carlos Merten

21 de dezembro de 2019 | 10h56

As aventuras de um repórter. CHeguei ontem no início da tarde e tive de correr para casa, porque tinha uma entrevista agendada, por telefone, com Benoit Jacquot. Falamos sobre O Último Amor de Casanova, que estreia na quinta que vem, 26. Quase não comi e aí foi a vez de correr para o jornal. Fiquei preso no trânsito – mais de uma hora, e o taxímetro rodando. Para fazer meu material de sábado e domingo, saí da redação passado das 9. Jantei, vim para casa, li um pouco e desabei. Benoit é ótimo. Adoro conversar com ele sobre sua mise-en-scène. Os movimentos de câmera que ‘dérobent’, subtraem, em vez de revelar. É o que caracteriza o seu Casanova. Falamos do de Fellini, que transformou o grande sedutor numa marionete, a quem, odiava. ‘Eu amo o meu Casanova’, me confessou Benoit Jacquot, e nisso vai uma diferença e tanto. Preciso ir agora ao Centro para mandar fazer novo par de óculos. Estou trabalhando com óculos de camelô, que comprei no Rio. Que coisa, não? Desde Brasília, é o segundo par que tenho de mandar fazer. Em um mês! Mas não posso deixar de voltar a Episódio IX. Estava na sucursal do Estado, no Rio, e vi/ouvi um desses garotos que conheço de vista das cabines de imprensa. Falava na TV, dizendo que A Ascensão Skywalker teve a pior avaliação de toda a série no site Rotten Tomatoes. Ele próprio reclamava que o filme não continha novidades – formais. Por certo que não. Trata-se do fecho da terceira trilogia, numa série de três. Ou seja – o novo filme. As novidades que aporta são de outra ordem. Revelações sobre a identidade de Rey, que ganha seu sobrenome. Adorei o arco de possibilidades que o filme abre para cada um do nosso trio de personagens – 3, sempre 3. Interesses românticos para Finn e Poe, para desviar a questão da homossexualidade, e os dois permanecem atados a Rey. Quanto a ela, nossa heroína, permanece solitária – com seu robô. Cavaleira jedi, e solitária. John Ford – Star Wars, o que virou depois Episósio IV. A saga toda começa e termina sob o signo do faroeste. Budd Boetticher, para fechar. Pode não significar nada para os outros, mas representa tudo para mim, e para a curva do filme. F…-se Rotten Tomatoes. Adorei os fantasmas, o mar revolto, o amor atormentado de Kylo Ren por Rey. Os fantasmas vêm do cinema japonês tradicional. Western(s) de sabre. Melodrama kingvidoriano. Dentro daquela escala gigantesca, há uma história muito íntima, e foi nessa intimidade que embarquei. É o que me permite viajar na galáxia distante de JJ Abrams com a mesma entrega que tenho pela Vitalina Varela de Pedro Costa. Pedro, aliás, me contou no Rio uma história deliciosa. Seus filmes têm aqueles títulos – Ossos, Casa de Lava, Juventude em Marcha, Cavalo Dinheiro, etc. Ele contou que, em Locarno, sua protagonista, uma cabo-verdiana guerreira de 55 anos, deu-se conta da confusão. O filme é ela, tem o nome dela e as pessoas misturavam tudo. Falavam dela como do filmem ou do filme como ela. Num determinado momento, Vitalina disse ao diretor. ‘Ó Pedro, se me tivesses pedido teria te arranjado outro título, e melhor.’ Adorei.