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Uma Berlinale com grandes autores, e o Brasil de volta à competição

Luiz Carlos Merten

29 de janeiro de 2020 | 09h22

Berlim anunciou nesta manhã os filmes que vão concorrer ao Urso de Ouro de 2020. Será a 70.ª Berlinale, de 20 de fevereiro a 1.º de março, e a primeira sob a nova direção artística de Carlo Chatrian, que substitui Dieter Kosslick. Sob a condução de Kosslick, Berlim estabeleceu-se como o mais político dos grandes festivais. Por mais que imprima sua marca, essa é uma característica da qual Chatrian parece que não vai abrir mão. Italiano, ele adquiriu projeção fazendo a curadora do festival suíço de Locarno, que outorga, como prêmio máximo, o Leopardo de Ouro. De brincadeirinha, pode-se dizer que Chatrian troca o bicho por um maior e mais feroz – o Urso. Cannes que abra o olho. No ano passado, já houve uma expressiva participação brasileira, mas não na competição. Este ano, e pela primeira vez, após Joaquim, de Marcelo Gomes, o Brasil volta à disputa do Ouro. E com outro filme de época – Todos os Mortos, de Marco Dutra e Caetano Gotardo, passa-se no biênio 1899-1900. O Brasil em processo de transformação, após a libertação dos escravos e a proclamação da República. Dutra e Gotardo começaram a escrever em 2013, quando o Brasil estava explodindo. Queriam entender o que estava se passando, e como as estruturas arcaicas sobre as quais se fundamentou a República deram origem a desigualdades sociais que permanecem até hoje. O que interessa é o agora – a herança da escravidão, o trabalho alienado, a mais valia. Entre os demais concorrentes ao Urso estarão filmes de Christian Petzold, Hong Sangsoo, Abel Ferrara, Philippe Garrel, Tsai Ming-liang, Ritty Panh, Sally Potter e até uma nova versão de Berlin Alexanderplatz, por Burhan Qurbani. O filme de abertura será Meu Ano de Salinger, de Philippe Falardeau, com Sigourney Weaver, sobre o universo literário de Nova York, nos anos 1990, do ponto de vista da assistente de uma poderosa agente (Sigourney). Na estrutura da empresa, a garota, interpretada por Elizabeth Qualley, é encarregada de responder às cartas endereçadas ao autor mais prestigiado da casa, J. D. Salinger. O Brasil estará presente com vários filmes nas demais seções. Será, espero, um grande festival.