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Um zapping do Violinista a Sob o Sol da África

Luiz Carlos Merten

05 de setembro de 2020 | 23h31

Mais um dia em que minha vontade de sair de casa – com todo cuidado – ficou só nisso. Vontade! Emendei dois filmes à tarde. Estava zapeando e entraram imagens de O Violinista no Telhado. Acho muito bonita a cena em que Tevye/Topol casa a primeira filha e canta – ‘Is this the little girl I carried/Is this the little boy at play?’. Fiquei esperando pela cena e fiquei até o fim. Zapeei de novo e começava O Poderoso Chefão. Resolvi ver um pouquinho, mais um pouquinho – não deu para desgrudar o olho. Vi até o fim. Puta filme, meu Deus. Sei que sou exceção, mas meus favoritos da série são o 1 e o 3, por mais que goste das cenas de Cuba no segundo. A propósito, fiz um texto esta semana para o online do Estado sobre o anúncio da Paramount de que Francis Ford Coppola usou o restauro de Parte III para uma edição comemorativa dos 30 anos do filme – em dezembro – para revisitar a obra, como já tinha feito, duas vezes, com Apocalypse Now. Limpou, poliu, mas não ficou satisfeito. A Paramount diz que O Chefão III ganhou uma nova versão. O próprio Coppola esclarece – “Para esta versão, reorganizei cenas filmadas e combinações musicais. Com essas mudanças e mais a filmagem e o som restaurados, esta é, para mim, uma conclusão mais apropriada para O Poderoso Chefão e O Poderoso Chefão Parte II.” A Paramount, ao anunciar a novidade, jogou para dezembro a chegada da nova versão às plataformas digitais. Até o título mudou – O Poderoso Chefão de Mario Puzo, Coda: A Morte de Michael Corleone. Fiquei louco para ver, embora não creia que vá melhorar o que, para mim, já é grande. Comprei hoje duas revistas internacionais de cinema, ambas de língua inglesa. A Total Film revela, numa reportagem de várias páginas, a nova armadura – dourada – da Mulher Maravilha. Também lista os 30 maiores filmes das nossas vidas (our lifetime), lançados a partir de fevereiro de 1997, de Kill Bill Volume 1, o 30º, a Matrix, o primeiro. Christopher Nolan e Paul Thomas Anderson são os autores mais recorrentes na lista. Nolan, com A Origem (19º), Insônia (oitavo) e Batman – O Cavaleiro das Trevas (quinto). Anderson, com Ameaça Fantasma (17º), Sangue Negro (11º) e Magnolia (segundo). Empire tem, nas últimas páginas, uma seção de que gosto muito – The story of the shot. Como surgiram imagens icônicas. Na edição de agosto, o filme é Ice Cold in Alex/Sob o Sol da África. Lembrei-me do filme de 1958 quando fiz Os Canhões de Navarone na série dos clássicos. Um filme de guerra de J. Lee Thompson, do tempo em que ele era bom – e era -, antes de virar um dos diretores oficiais do justiceiro Charles Bronson. John Mills, Harry Andrews, Anthony Quayle e Sylvia Syms numa cena de bebedeira – a melhor do cinema? Havia duas atrizes inglesas de que gostava muito na época – Sylvia e Yvonne Mitchell. Sylvia foi a mulher de Dirk Bogarde em Meu Passsado me Condena/Victim, de Basil Dearden, que foi fundamental para o reconhecimento dos direitos de homossexuais na Inglaterra, no começo dos anos 1960. Yvonne também brilhou num thriller anterior de Basil Dearden – Saphira, A Mulher sem Alma, de 1958 – e teve seu maior papel contracenando com Sylvia e Quayle em Uma Sombra em Sua Vida/The Woman in a Dressing Gown, que Thompson realizou em 1957. E não se pode esquecer que Thompson – ele, de novo – realizou em 1961, no mesmo ano de Navarone, a primeira versão de Cape Fear, O Círculo do Medo, que dá um baile na do Martin Scorsese.

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