As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Um sábado de emoções – La Sebastiana, o santuário da Imaculada Concepción e Don Elias (Figueroa)!

Luiz Carlos Merten

12 de janeiro de 2019 | 23h35

SANTIAGO – Conheço as três casas de Pablo Neruda. A de Isla Negra, La Chascona, aos pés do Cerro San Cristóbal, em Santiago, e a minha favorita – La Sebastiana, em Valparaíso. Voltei hoje pela quarta ou quinta vez a La Sebastiana. Reza a tradição que o poeta buscava uma casa que parecesse flotar en el aire, que parecesse flutuar e, ao mesmo tempo, estivesse ‘asentada’, ancorada, na terra. Ele encontrou essa casa mítica, abandonada após a morte de seu construtor, Sebastián Collado, daí o nome. Concluiu-a. A casa tem cinco planos e, em todos, amplas janelas abrem-se para o mar, e para a vista de Valparaíso. Vem gente de todo o mundo visitar esse lugar único. Ali dentro falava-se hoje inglês, francês, italiano, espanhol, português, alguma língua nórdica que não identifico, chinês, imagino que cantonês, japonês. Vinicius de Morais dizia que o amor é eterno enquanto dura, Neruda escreveu que a paixão es tan breve, la soledad de la separación tan larga. A caminho de La Sebastiana passei por Lo Vásquez, pelo santuário da Imaculada Concepción. Foi o que me trouxe, dessa vez, ao Chile. Há dez anos, ao passar por Lo Vásquez, fiz a promessa que agora vim cumprir. Nada especial. Estar vivo? Foi um ano difícil, não preciso insistir nisso, 2018. Volvi a Chile e a Lo Vásquez. Só de estar sentado naquela nave me produziu um bem enorme. São Francisco – Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz. O motorista que me levou, Andrés Pérez, foi simpático, falante. Quando soube que eu era gaúcho, e torcedor do Inter, disse que ia me fazer uma surpresa. Paramos na vinícula Don Elias – de Elias Figueroa. Elias Ricardo Figueroa Brander! O zagueiro genial do Inter, o maior jogador chileno de todos os tempos. Estava o próprio Don Elias. Apertei-lhe a mão. Quantas emoções nesse sábado. Almocei em Viña del Mar, num restaurante de frutos do mar que já conhecia. Ao regressar a Santiago, fui ver a intervenção urbana da companhia de Willi Dorner no Santiago a Mil. Bodies in Urban Spaces. Como estátuas humanas, os integrantes da companhia alteram a paisagem urbana. Vestindo roupas de cores muito vivas, a intervenção coreografada de atores e bailarinos é tanto mais inesperada porque ocupam posições impossíveis. O local era um ponto bem central, Teatino com a avenida Libertador Bernardo O’Higgins, que os santiagueños chamam simplesmente de Alameda. Depois disso, só me restou ir à Plaza de Armas, a um restaurante que conheço e que tem mesas na rua. Tomei pisco sour, vinho, comi um frango empanado com legumes, acompanhei o anoitecer e aqui estou no hotel, postando. Nem contei o que estou lendo – a Maria Stuart de Stefan Zweig, editada pela José Olympío, com tradução de Lya Luft. Estou impressionado com a prosa e a acuidade da análise de Zweig. Vou voltar ao assunto.