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Um pouco de calor, não, muito calor humano na vitória de Benzinho no GP do cinema brasileiro

Luiz Carlos Merten

15 de agosto de 2019 | 10h33

Tive meus momentos de pura epifania na plateia do Teatro Municipal, ontem à noite, assistindo ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Glauber, a corrida final de Deus e o Diabo na Terra do Sol, reproduzida por um ator no palco. O Oscar do cinema brasileiro – o troféu Grande Otelo – teve esses momentos muito bem produzidos, impactantes. Mas confesso que nada me emocionou tanto – chorei! – como ver e ouvir Rodrigo Pandolfo cantar Coração de Estudante. Numa noite que celebrava cinema e música, Sonia Braga foi soberana na tela, nas cenas escolhidas de Dona Flor, A Dama do Lotação e Eu Te Amo. Amei rever Zezé Motta, homenageada com um prêmio de carreira, em Xica da Silva, o clássico de Cacá, e Tudo Bem, que abre a trilogia entre quatro paredes de Arnaldo Jabor. Ney Matogrosso foi magnífico cantando Um Pouco de Calor, de Ralé, e as garotas de Antônia… Uau! Gostei demais! Mas Coração de Estudante… É a minha música. Quero crer, espero!, que tenha envelhecido e, mesmo amargurado, como ando, não tenha perdido a crença na juventude e na fé, não em Deus, mas na amizade, no amor e na justiça social, tão ultrajada nesse Brasil. Sempre disse que gostaria que tocassem Coração de Estudante no meu enterro, para fazer todo mundo chorar. Não sei mais, nesse estado do mundo, se as pessoas chorariam, mas eu choro com o Milton, com o Rodrigo Pandolfo.
Quero falar de uma coisa
Adivinha onde ela anda
Deve estar dentro do peito
Ou caminha pelo ar
Pode estar aqui do lado
Bem mais perto que pensamos
A folha da juventude
É o nome certo desse amor
Já podaram seus momentos
Desviaram seu destino
Seu sorriso de menino
Quantas vezes se escondeu
Mas renova-se a esperança
Nova aurora a cada dia
E há que se cuidar do broto
Pra que a vida nos dê
Flor, flor e fruto
Benzinho foi o grande vencedor da noite, ganhando melhor filme, diretor (Gustavo Pizzi), roteiro original (Karine Teles e Pizzi), atriz (Karine), atriz coadjuvante (Adriana Esteves) e montagem (Lívia Serpa). Chacrinha – O Velho Guerreiro, de Andrucha Waddington, campeão de indicações – tinha 12 -, venceu melhor ator (Stepan Nerrcessian), melhor filme do júri popular e melhor som. O Grande Circo Místico, de Cacá Diegues, fez o rapa dos prêmios técnico-artísticos (fotografia, direção de arte, figurino, maquiagem, efeitos visuais) e ainda ganhou roteiro adaptado, para Cacá e o sr. Anna Luiza Müller, George Moura. Alguns prêmios me surpreenderam, como o de melhor documentário para Ex-Pajé, e não que o filme de Luiz Bolognesi não merecesse. O prêmio de comédia para Minha Vida em Marte, de Susana Garcia, consagrou um megassusesso. O Grande Prêmio do Cinema Brasileiro foi marcado por manifestações contra (Jair) Bolsonaro e por palavras de ordem em defesa do cinema brasileiro. O prefeito Bruno Covas fez um discurso em defesa da diversidade – São Paulo é a própria – e disse que sua administração não pede atestado ideológico para ninguém. Desse jeito, viram Laís Bodanzky e Alê Youssef?, até eu vou ter de votar no cara. Quando Zezé Motta agradeceu seu Grande Otelo cantando – Missão, de João Nogueira – passava da 1 (da manhã). Estava exausto, com a perna doendo, mas feliz. A festa do ano que vem será de novo na cidade, mas na Sala São Paulo. Só espero estar aqui para novas emoções.

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