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Um gostinho de quero mais

Luiz Carlos Merten

22 de julho de 2013 | 09h38

Vocês sabem que eu não tenho muita paciência com séries de TV e menos ainda com essas que fazem sucesso – Homeland, Dexter, House. Até tentei ver – coisa que não fiz, no passado, com Lost, por exemplo, mas os personagens são antipáticos e o dr. House, John Lurie, insuportável. Como todo mundo o ama, creio que talvez seja uma questão de tempo. Ver alguns episódios, me acostumar com o casmurro gringo, mas aí teria de gravar para ver depois, porque a última coisa que me interessa é ficar de noite em casa para ver TV. Mas, enfim, quero dizer que termino gostando das séries mais improváveis, já nem falo em CSI mas em Blue Bloods, que vi ontem um pouco. Havia uma maratona, vi um episódio e meio, estava gostando, mas havia marcado de jantar com amigos no Arábia e lá fui eu. Larguei o episódio no meio. Tom Selleck leva o prefeito ao condomínio de chicanos dominado pela gangue Los Lordes, há um atentado, o prefeito é baleado e eu abandonei a série sem saber do desfecho. Gostei da família de policiais, gosto demais da Bridget Monaham, um tipo muito interessante de mulher bonita e madura, e só lamento que o cinema e a própria TV não lhe ofereçam papeis mais ‘estelares’, para ela brilhar como deveria. Tom Selleck! Nossa editora do Guia do Estado lia no outro dia a Empire com Hugh Jackman na capa e me contou como ele conseguiu o papel de Wolverine. O diretor Bryan Singer havia escolhido Dougray Scott, que ainda filmava Missão Impossível 2 e eu acho sensacional o jogo de máscaras criado pelo diretor John Woo naquele filme. Mas Scott quebrou a perna, ou o braço, a filmagem já estava começando e o Jackman deu uma cartada. Foi por conta dele ao Canadá, onde a produção já estava lotada e se ofereceu para ‘audicionar’ para Singer. Ganhou o papel, virou astro e o Dougray quem? perdeu sua chance, ele que era tão bom em MI-2. Tem gente azarada, os franceses têm uma expressão chique para isso – falam na mauvaise étoile. Quanta gente teve a mauvaise étoile no cinema. Lembro de Patricia Nel, estigmatizada em Holywood por seu romance ‘proibido’ com o casado Gary Cooper. Quando, enfim, ela ganhou o Oscar por Hud, o Indomado, de Martin Ritt, e fez A Primeira Vitória, de Otto Preminger, o reconhecimento veio, mas a Patricia teve aquele derrame ou trombose, a carreira e a vida ficaram truncadas, mas ela teve um marido, o escritor Roald Dahl, que foi guerreiro ao seu lado. Não se pode falar numa má estrela. Má, em termos. Dougray Scott não virou astro, a boa estrela era do Hugh Jackman e, por sinal, estou saindo de casa para ver o Wolverine no Shopping Eldorado. O que isso tem a ver com Tom Selleck, o patriarca de Blue Bloods? Ele era o escolhido de George Lucas e Steven Spielberg para fazer Indiana Jones, mas estava ligado à TV, não quis abandonar a série Magnum, que era legal. Foi a chance de Harrison Ford e eu me pergunto se ‘Indy’ teria estourado com Selleck, se a carreira dele teria lhe dado a projeção que o outro adquiriu em Hollywood. São histórias de bastidores, A vida como ela é. Pensava tudo isso olhando o Selleck como seu bigodão à José Sarney. Blue Bloods é sobre um promotor que tudo viu e sabe que as coisas precisam mudar. Selleck dá força e honestidade ao papel. Bridget tem aquela cara amargurada de quem faz o que pode. O pai a impulsiona a fazer mais, porque o possível é pouco. Gostei – estava gostando. Fiquei com gostinho de quero mais.

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