Um belo começo
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Um belo começo

Luiz Carlos Merten

06 de fevereiro de 2014 | 14h37

BERLIM – Vi filmes, fui às coletivas, já redigi meus textos para o Caderno 2 de amanhã. Um postezinho, mesmo rápido, se faz necessário. Nunca fui um grande admirador de Wes Anderson, mesmo que eventualmente tenha achado os filmes dele interessantes (alguns, pelo menos). Pois quero dizer que não apenas gostei – amei o novo filme dele, que abriu oficialmente a Berlinale. Grande Hotel Budapeste baseia-se em escritos de Stefan Zweig, mesmo não sendo uma adaptação específica. É mais uma questão de espírito. Anderson apaixonou-se por Viagem ao Passado, em que Zweig reconstitui a Viena de antes da 1.ª Guerra, captando um mundo, um estilo de vida, que iria desaparecer em seguida. Grande Hotel tem um pouco disso. O lobby boy conta sua história para o escritor, e elas é cheia der peripécias, mostrando como o concierge, M. Gustave, herdou um quadro valioso de uma cliente que foi envenenada pelo filho e passa a ser perseguido pelo cara (e seu sicário). O) garoto, que se chama Zero, amadurece, eventualmente vira um homem rico e M. Gustave, interpretado por Ralph Fiennes, permanece uma criança grande. Há um tom em Grande Hotel, e é de onde vem o encanto do filme. Anderson usa a tela quadrada, e decupa os extensos diálogos em plano/contraplano, mas nada a ver com a linguagem de TV. Seus atores – Fiennes, Tilda Swinton, Bill Murray, Edward Norton, J. Murray Abraham etc – não são naturalistas. Fazem deliciosas composições que, à falta de uma definição melhor, fecham com a ideia de que os personagens do autor são ‘excêntricos’. Foi um belo começo para a Berlinale. A própria mesa da coletiva, cheia de gente, também estava cheia de graça. Um jornalista perguntou a Bill Murray qual a natureza de sua ligação com Anderson? Ele disse que o romance acabou, mas permanecem agora como pai e filho. Tilda Swinton, acostumada a roubar a cena,  lembrou que Berlim foi seu primeiro festival. Ela veio com Caravaggio, de Derek Jarman e o filme passa amanhã em Berlinale Classics. Tilda, que recentemente presidiu o júri do festival e volta como simples jurada, falou com tanto carinho de Jarman que não resisti. Tirei meu ingresso para ver Caravaggio em versão restaurada. O filme da competição, na sessão para a imprensa, passa de novo no sábado à tarde, e eu recupero no outro horário.

Tudo o que sabemos sobre:

Festival de Berlim; Cinema

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.