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Um amor para sempre

Luiz Carlos Merten

19 de outubro de 2013 | 09h50

Começou! Não dei conta de minhas experiências nos dois primeiros dias da Mostra porque foram bem carregados, em termos de trabalho. Na terça ou quarta, nem sei, havia visto nas cabines de imprensa um filme do quasl gostei muito, The Rocket. Descobri que é o indicado da Austrália paras o Oscar, embora filmado no Laos e falado na língua do país. Nunca havia ouvido falar do diretor Kim não sei das quantas, mas fui pesquisar e descobri que seu ator mirim e ele venceram o Festival Tribeca, de Robert De Niro, em Nova York. Havia planejado até escrever um post. Certezas, bye-bye.  Tenho a impressão de que sei cada vez menos o que é o cinema, e isso, longe de me paralisar, tem-me permitido viver experiências viscerais no cinema. Ao mesmo tempo que certos filmes aguçam meu intelecto – São Silvestre, de Lina Chamie, o melhor brasileiro do ano (é, não?) – outros me apanham pela emoção e tenho a impressão de voltar aso meu maravilhamento. Escrevendo a palavra, lembrei-me de Greta Garbo, que, conta a lenda, arrebatada pelo mistério e sedução da ‘fera’, teria pedido a Jean Cocteau, na saída da exibição especial de La Belle et la Bête – ‘Give me back my beast’. Maravilhar(-se). Quer coisa mais excitante para se fazer no cinema? Tenho feito montes de entrevistas, Na quinta, reunimos, Flávia Guerra e eu,  os vencedores da Première Brasil, Caru Alves de Souza e Fernando Coimbra, para uma conversa cruzada sobre os filmes deles, De Menor e Lobo Atrás da Porta, que passam hoje na Mostra. Na qujnta, passei momentos bem agradáveis com Christiane Kubrick e Jan Harlan e o que ela contou me permitiu traçar um retrato mais íntimo de seu grande amor. Foram 41 anos de união e ela ainda segue devotada à memória do seu ‘Stanley’. A matéria com Caru e Coimbra está no Caderno 2 de hoje e na TV Estado. A de Christiane (e Jan), no de amanhã. Gostaria de ter chamado a matérias de amanhã Glória Feita de Sangue, um pouco porque foi o filme que marcou a aproximação de Christiane e Stranley. Ele contratou uma atriz para cantar na cena final de Paths of Glory e ganhou, como ela diz, uma companheira para toda a vida (até a morte dele, em 1999). Na abertura da Mostra, Christiane, cuja aquarela retratando o marido no set de Barry Lyndon virou a vinheta deste ano, contou que Kubrick se feriu com um espinho. Ele dizia, brincando., que deu seu sangue por Barry Lyndon. Tudo isso, e mais a definição dele sobre seu ‘gênio’ – 10% de talento e 90% de trabalho -, me levava ao título que queria, mas seria muito difícil explica-lo no olho e eu adotei o mais convencional ‘Um amor para sempre’. Gostaria que vocês, lendo o texto, tivessem o mesmo encanto (e prazer) que experimentei com Christiane. De cara, tomei um susto. Os óculos, o cabelo grisalho que ela dispõe para o alto, como um coque, a bata. Havia marcado com Christiane Kubrick e me parecia estar de volta a outra entrevista, com Hanna Schygulla (também para falar do seu ‘Rainer’). Duas coisas que não consegui encaixar no texto. Christiane diz que não consegue ser intensa como Stanley, que fazia e via filmes e se interessava por tudo (política, xadrez, futebol, família etc). Ela vê poucos filmes. O último de que gostou muito foi Django Livre, e achou Leonardo DiCaprio extraordinário. Jan, seu irmão e cunhado de Kubrick, é professor de cinema. Me falou maravilhas do novo Edgar Reitz, que retoma o universo de Heimat. Vou fazer uma pausa. Volto em seguida porque meu sábado será agitado, e vai envolver uma viagem à noite.

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