As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Um americano em Roma

Luiz Carlos Merten

02 de dezembro de 2013 | 18h54

Não, nada a ver com George e Ira Gershwin nem com Vincente Minnelli, An American in Paris. Fui ontem rever o Woody Allen com meu amigo Dib Carneiro. Encontramos nosso colega jornalista Leonardo Trevisan , que me propôs um enigma – queria saber o nome de um filme italiano dos anos 1950 em que Alberto Sordi faz um personagem americanizado. Na hora não me veio, mas lembrei-me depois de Um Americano em Roma, de Steno, de 1954 ou 55, que a Versátil lançou em DVD. Sordi anda de vespa, fala um inglês macarrônico (antecipando Fellini, ao agradecer seu último Oscar) e sonha conseguir o visto para os EUA – chegando a ameaçar que se mata, se a embaixada norte-americana em Roma lhe negar o green card. Stefano Vanzina, Steno! Ele foi um daqueles pequenos diretores que os críticos em geral minimizam ou desconhecem. Dirigiu em dupla com Mario Monicelli e os méritos dos filmes que fizeram costumam ser atribuídos exclusivamente ao outro, o que me parece injusto, porque Steno foi uma espécie de Carlos Manga italiano, um rei da paródia. Como esqueci o e-mail que o Trevisan me ditou, espero que alguém próximo a ele leia o post e lhe repasse a informação. Sobre o Woody Allen, continuo gostando de Blue Jasmine e convencido de que Cate Blanchett merece o Oscar, mas ontem, mais do que na primeira vez, quando vi o filme em Nova York, me saltou aos olhos que Jasmine tem alguma coisa de Norma Desmond, embora seja, essencialmente, a Blanche Dubois de Woody, vivendo da caridade de estranhos. E o filme é um drama sombrio, o que, dada a natureza contraditória do ser humano, me deu saudade do humor alleniano, embora eu já estivesse cansando, e até ‘me’ cansando, de bater na mesma tecla de que ele já foi melhor (e já foi mesmo). Mas Blue Jasmine é bom e eu até fiquei pensando se não será o caso de integrá-lo à  minha lista de melhores do ano, que já está saturada e promete ficar mais ainda, agora que a Imovision confirma o Kechiche, Azul É a Cor Mais Quente, e o Alain Guiraudie, Um Estranho no Lago, e a Paris garante que lança o Jia Zhang-ke, Um Toque de Pecado, no dia 13. Meus portugueses vão terminar dançando – o Miguel Gomes, Tabu, já foi, mas eu ainda esperava salvaguardar o Oliveira, Angélica, mas com o Jia batendo à porta e eu tendo colhido uma tempestade por causa dele na reunião da crítica, na Mostra, não tenho como recuar. Só quero ver quantos coleguinhas vão bancar o Jaula de Ouro, já que o filme de Diego Quemada-Diez também entra nas próximas semanas, ainda em 2013.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: